Afetos – contingências “de” e “para” a vida

  A contingência é uma palavra rica, visto que, ela encontra representações na psicologia, filosofia e na lógica. Dentro do olhar lógico e filosófico, nós observaremos a contingência como um construto que toca em “verdades” e “não verdades”. Às vezes, não é uma tarefa simples o ato de encontrar algo necessariamente verdadeiro em todos os mundos possíveis. Desde a Alétheia grega, essa busca é árdua, pois o verdadeiro pode ser relativo a depender de vários valores de análise.   Eis que reflito sobre algo que considero necessariamente verdadeiro – os afetos para a vida. São eles que nos moldam. O…

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Compartilhamento da dor

Compartilhar a alegria é uma tarefa, relativamente, fácil. Dividir momentos felizes é um ato leve e saboroso. Difícil mesmo é repartir a dor. Angustiante, sim, é o compartilhamento sincero da angústia. O acolhimento verdadeiro da dor é um dom, por vezes, difícil de encontrar. A dificuldade acontece, porque, ao se abrir para a dor do outro, dói também na gente. Em todos os dias de trabalho, eu encaro a dor. A minha rotina é pautada no ato de abraçar, de forma literal e figurativa, aquele que padece de dor emocional. Eu não temo a dor. Por mais que ela seja…

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Duas pequenas lanternas

  Como nós precisamos aprender mais com as crianças. Por que nós nos esquecemos das nossas criancices? Tudo seria melhor. O mundo seria mais leve, solto, puro, sincero e verdadeiro. O nosso mundo de adulto é rígido, apertado, formatado e regimental. Um saco que deixa a vida monótona e cansada. Já pensava assim, mas essa semana, ao chegar a minha casa, esse pensamento foi confirmado.   O Leozinho e o Paulo Vitor, seu amigo da escolinha, estavam a correr, por horas seguidas, com duas pequenas lanternas nas mãos. Eles gritavam de alegria e gargalhavam com satisfação. Eles adentravam aos cômodos…

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A ideologia sobrepõe à ética médica?

Atualmente, eu ando meio reticente para escrever sobre assuntos políticos que estão em voga na imprensa. O momento é triste, visto que, há um barril de pólvoras em explosão cujos gatilhos são as paixões. No entanto, uma notícia me chamou a atenção e, conseqüentemente, eu não poderia deixar a minha inquieta mente angustiada por não colocar no papel o meu refletir.   Então, o que me chamou a atenção? A notícia de uma quebra da relação médico-paciente, promovida pelo próprio médico, em face de uma ideologia político-partidária da mãe do paciente (criança). Para avaliar tal questão, evitarei me prender somente…

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A minha redescoberta da medicina

Eu li boa parte dos livros mais famosos utilizados na formação médica. Acho que todos os meus colegas médicos também leram. Criava-se, inclusive, um jeito peculiar de nomeá-los. Nós os apelidávamos pelo nome do autor. Então, fizeram parte das minhas leituras e madrugadas de estudo o “Moore”, o “Sobotta”, o “Robbins”, o “Guyton”, o “Junqueira” e por aí vai. Vários outros livros em todas as disciplinas existiram, mas não vou citá-los aqui. Todos eles foram e são fundamentais e indispensáveis ao saber e a formação médica, porém confessarei a você algo inusitado – eu redescobri a medicina nas leituras não…

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A vida é muito tênue para passar em branco

  Algumas pessoas não vivem e, ao invés de viver, elas apertam o piloto automático e empurram o existir numa rotina repetida e monótona. Não se jogam no mundo nem se arriscam pelo medo de errar. Nelas, há uma espécie de acovardamento que elimina o desejo de ultrapassar as barreiras e os obstáculos. Infelizmente, essas pessoas produzem uma vida biológica de acordar – comer – dormir para que, no outro dia, o ciclo seja repetido. Mas a vida é tênue para todos nós e só pensamos nessa efemeridade quando, de uma forma ou de outra, a morte nos espreita. Por…

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Corações petrificados e azedos

  Costumo dizer que aqueles que possuem “corações” de pedra e mergulhados no azedume de sentimentos ruins são capazes de espalhar essa energia. Infelizmente, tais sentimentos são propagados como partículas virais em surtos e epidemias. É muito difícil encontrar uma proteção ou uma barreira para eles. Eles são mais do que aerotransmissíveis, pois, tais sentimentos, se propagam pela voz, pelo pensar, pelo sentir, pelo respirar, pela presença e, quiça, pelo olhar. As pessoas com corações de pedra e azedos são virulentas e, vez por outra, resistentes às nossas defesas. Muitas vezes até temos anticorpos monoclonais para nos defender além de…

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Coragem e fé

  O que torna alguns corajosos e outros acovardados? Eis uma boa reflexão, pois encontramos pessoas capazes de eliminar os medos e os receios no enfrentamento de tudo. Para esses, demonstramos uma deferência sem igual, porque, talvez, não tenhamos a coragem que eles tiveram. Portanto, o que alimenta a coragem? Para mim, a reposta é simples – a fé. Não, somente, uma fé divina, embora essa fé seja capaz de fatos fabulosos. Quando falo de fé, refiro-me a percepção de que podemos a despeito das adversidades. E se você parar e pensar, concluirá que nós, de fato, sempre podemos, mas,…

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Dimensões de Matrix na política do Brasil

  A imagem dessa postagem é fantástica. No filme Matrix, existem diversas outras imagens e passagens que nos fazem pensar filosoficamente. Mesmo que não sejamos apaixonados por filosofia, somos, nesse filme, chamados a pensar. Nele, existe muito de Platão e das suas alegorias. A Alegoria da Caverna é constante na sua trama e confirma a diferença entre o saber do mundo sensível e o saber do mundo inteligível. Em outras palavras, a razão e o pensar nos dando capacidades maiores do que o sentir e o perceber. A capacidade de enxergar além do que nos é mostrado e nos é…

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E a corrupção?

De onde surge tal flagelo? Seria uma criação dos políticos e da política? Mas, antes de serem políticos, eles eram o que? Eram cidadãos da mesma forma que nós. E, enquanto cidadão, eles, futuros políticos, já atuavam em “gambiarras” comportamentais para se darem bem. Então, possivelmente, atos simples e corriqueiros eram levados a cabo sem peso ético na consciência. Por exemplo, um estacionar “rapidinho numa vaga proibida, um “pequeno” suborno a um agente público, uma “ingênua” omissão de bens na declaração de imposto de renda e um afetuoso “jeitinho brasileiro” na resolução de problemas. Mas será que, de fato, essas…

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