Duas pequenas lanternas

Leo, Ben e Veca - lúdico

 

Como nós precisamos aprender mais com as crianças. Por que nós nos esquecemos das nossas criancices? Tudo seria melhor. O mundo seria mais leve, solto, puro, sincero e verdadeiro. O nosso mundo de adulto é rígido, apertado, formatado e regimental. Um saco que deixa a vida monótona e cansada. Já pensava assim, mas essa semana, ao chegar a minha casa, esse pensamento foi confirmado.

 

O Leozinho e o Paulo Vitor, seu amigo da escolinha, estavam a correr, por horas seguidas, com duas pequenas lanternas nas mãos. Eles gritavam de alegria e gargalhavam com satisfação. Eles adentravam aos cômodos escuros e falavam – “olha os fantasmas”. Eles se apaixonavam com as simples sombras produzidas pelos feixes da luz que emanavam das lanternas. Algo que muitos considerariam simplório e pueril, todavia o que nos faz feliz é o simples. O que nos preenche não é as grandes empreitadas da vida, mas sim aquilo que é cotidiano e nem percebemos. O que dá sentido é o que permanece, repetidamente, na frente dos nossos olhos. Naquele instante, o Leozinho e o Paulo Vitor entenderam assim e, com pequenas lanternas, passaram a conquistar o mundo.

 

A verdadeira conquista da vida nunca será material. Por isso, as crianças são melhores do que nós, adultos modernos. Elas são capazes de conquistar sem desejar enredos ou histórias rebuscadas. De forma lúdica, elas são hábeis nessa busca. Elas são muito mais ricas do que nós todos e olhe que nem sei quanto cada um tem de patrimônio financeiro. A riqueza do viver é, para mim, medida de outra forma. Então, não existe imóvel nem investimento que ultrapasse, em termos de valor, a pureza de uma criança.

 

A farra lá em casa perdurou por toda tarde. As lanternas foram no limite da sua carga de energia até deixarem de iluminar. Elas iluminaram não somente os espaços da minha casa, mas também a minha esperança de um mundo melhor onde os adultos pudessem aprender com as crianças. Que o mundo seja governado por elas e que as luzes das lanternas batam nos nossos duros corações de adultos.

 

Régis Eric Maia Barros