Afetos – contingências “de” e “para” a vida

infância roubada

 

A contingência é uma palavra rica, visto que, ela encontra representações na psicologia, filosofia e na lógica. Dentro do olhar lógico e filosófico, nós observaremos a contingência como um construto que toca em “verdades” e “não verdades”. Às vezes, não é uma tarefa simples o ato de encontrar algo necessariamente verdadeiro em todos os mundos possíveis. Desde a Alétheia grega, essa busca é árdua, pois o verdadeiro pode ser relativo a depender de vários valores de análise.

 

Eis que reflito sobre algo que considero necessariamente verdadeiro – os afetos para a vida. São eles que nos moldam. O equilíbrio de forças entre eles determina a resultante do que somos. Se os afetos foram mais protetores e capazes de nos nortear com resiliência, caminharemos de um jeito. Se os afetos nos desprotegeram, seremos e agiremos de outra forma.

 

Os afetos da vida agindo na contingência da nossa essência do presente. Produtos do ter ou não ter carinho. Equações cujos resultados são somações ou subtrações do que tivemos e deixamos de ter. Por isso, o ato de ser pai e mãe não deveria ser uma aventura. Infelizmente, cada vez mais, percebemos o quão alguns progenitores são aventureiros. Num viver em aventura, o resultado poderá ser angustiante, pois, por mais que seja possível mudar o rumo da história, aquele que padeceu de afetos ruins ou que careceu de afetos bons terá que se rebolar a fim de mudar a vida. Alguns conseguem, mas outros não. Inoportunamente, o mais comum é o “não”.

 

Uma infância roubada é um reagente para uma vida adulta complicada. Quem pagará tal promissória será aquele que não teve culpa – o órfão de afetos construtivos. Muitas dores emocionais e psicológicas podem nascer daí. Seriam elas resolvidas por fluoxetinas? Claro que não! É inviável adicionar algum elixir antidepressivo e/ou ansiolítico na água de beber. Seria, inclusive, bem mais fácil, contudo é irreal e não factível. Esse elixir não existe.

 

As dores foram construídas e o que restará – a atitude de desconstruí-las. Muito cansativo e doloroso será essa jornada. Não será fácil combater o condicionamento negativo da dança dos afetos. Mesmo assim, há de se lutar para que o resultado se torne positivo com a aquisição de novos afetos.

Régis Eric Maia Barros