Vivemos para lutar

O que seria a vida? Uma sequência de batalhas duras e espinhosas. É assim para todos. Engana-se aquele que pensa na vida como uma estrada ornamentada de flores. Há dor! Há perdas! Há lágrimas! E daí? Apesar disso, a luta e a perseverança para buscar a felicidade nos movem. É isso que importa. Apesar das feridas, o desejo de encontrar a felicidade. Ao encontrá-la, experimentaremos. Ao senti-la, sonharemos. Ao falar sobre a vida, necessito citar Gonçalves Dias, que a definiu, perfeitamente, na sua poesia. “Não chores, meu filho; Não chores, que a vida É luta renhida; Viver é lutar. A…

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Memórias…

O que seria da vida sem elas? Na verdade, sem memórias, não há vida. A tela da vida precisa das nossas pinceladas. E, assim, construiremos uma bela obra – a vida. Por isso, não canso de falar que precisamos produzir memórias. Algumas vezes, a vida nos machucará com memórias negativas e inesperadas. Isso nos obriga a correr atrás do viver, ou seja, fazer com que memórias belas sejam produzidas. Falo isso para todos. Falo para aqueles que eu amo, para meus pacientes e para aqueles que eu não conheço. No final da jornada, data desconhecida por todos nós, olharemos para…

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Poucas reflexões sobre o mal…

“Desde que alberguemos uma única vez o mal, este não volta a dar-se ao trabalho de pedir que lhe concedamos a nossa confiança” (Franz Kafka) Percebi que ando meio angustiado, mas essa angústia não se materializa em depressão. Na verdade, ela é filosófica e existencial. A angústia vem da sensibilidade que tenho para ver, perceber e sentir. E esse mundo, essas relações, esse ódio e essa toxicidade dos dias atuais estão me causando isso. A bestialidade tomou conta de tudo. O pensar sucumbiu. A alteridade foi assassinada. O humanismo vem sendo apunhalado. Tudo isso vem acontecendo em decorrência de pautas…

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Viver é ser revolucionário

O que é a vida e o que seria o viver? Inúmeras teorias e argumentações poderão surgir nas nossas cabeças para explicar essa pergunta. Questões religiosas, filosóficas e psicodinâmicas permeariam a maioria das respostas. Mas, se eu pudesse resumir, eu responderia que a vida e o viver são fundamentos revolucionários. Sem ser revolucionário, não vivemos nem existirá vida. Sem ousadia, somos peças mortas e amorfas. Quando abdicamos da gana e do sonho da mudança, sucumbimos e morremos. Vida é desejo. Viver é não aceitar essa formatação escrota que as regras e o mundo nos impõem. Vida é lutar. Viver é…

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O que é mais transmissível?

Príon, vírus, bactéria ou protozoário? Fômites, espirros, tosse, toque ou via sexual? O que é mais transmissível? O que é mais perigoso? Existiria alguma coisa capaz de se espalhar mais e tomar conta das pessoas? Seria alguma doença? Que patógeno seria capaz disso? A resposta para tais dúvidas é: uma ideia. Nenhum microrganismo é capaz de uma virulência tal potente quanto uma ideia. Ideias se propagam sem capacidades de freios. Não há vacina capaz de detê-las. Mesmo exterminando alguns indivíduos contaminados por elas, a ideia se espalhará por aqueles que resistiram de pé e não sucumbiram. A ideia não morre…

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Gênero, ética e esporte

A discussão sobre a inclusão de mulheres trans em atividades esportivas é uma questão filosófica e ética bem atual. Nesse contexto, de maneira conjugada, aparecem dois pontos: o avanço social na aceitação das identidades de gênero e a perspectiva ética no esporte. Inicio esse artigo informando que sou um defensor público e ferrenho na aceitação plena dos homens e mulheres trans na sociedade. Por sinal, sou psiquiatra e perito de um tribunal federal e faço perícias sistemáticas em homens e mulheres trans. Conforme as normas vigentes, essas perícias são necessárias para a legitimação da mudança de registro civil e de…

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Sobre a vida e o viver

Um amigo e colega de turma da medicina, cujo nome carinhoso é Joãozinho, perguntou-me ontem sobre a vida. Ele me pediu para escrever algo a respeito. Então, mesmo de férias, não poderia deixar isso passar em branco até por que é uma temática que me fascina. Eis que, por coincidência, ao criar o título desse artigo, fiz uma associação filosófica e ressonante com o título do livro da Professora Klüber-Ross - "Sobre a Morte e o Morrer". Nessa obra, ela constrói uma reflexão a respeito do ato de morrer. Então, aqui, falarei rapidamente sobre o viver e a possibilidade de…

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Quando fecho os olhos

Quando fecho os olhos, eu vejo casais apaixonados que se beijam. Vejo também crianças correndo atrás de uma bola. Elas correm de forma despreocupada e as suas gargalhadas entram pelos meus ouvidos. Quando fecho os olhos, eu percebo caridade, alteridade, justiça e altruísmo. Vejo um mundo fraternal. Vejo pessoas desprovidas de preconceito. Sinto que ninguém julga o outro pela sua cor, identidade de gênero, sexualidade, situação social e perspectiva política. Quando fecho os olhos, eu enxergo o amor. Um amor tão gostoso que faz meus olhos se mexerem, mesmo que eles estejam fechados. Quando fecho os olhos, sinto o cheiro…

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Há saúde na mente doente

Quando o equipamento mental fica repartido e fragmentado, a dor é desorganizadora. Assim, a nossa mente fica se padecemos com alguma doença mental. Independente da categoria (depressiva, afetiva, psicótica ou ansiosa), o sofrimento mental, causado por essas doenças, é capaz de produzir um mal estar que incomoda e perturba. Apesar disso, nunca haverá uma “loucura” plena, visto que a nossa mente mantém componentes saudáveis. Na verdade, a palavra “loucura” é, em tese, ingrata e injusta, pois rotula e elimina, preconceituosamente, capacidades. Preciso compartilhar, nesse pequeno texto, que existe saúde até na mente do paciente mais adoentado e desorganizado por uma…

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Fotos da infância

Não há quem não goste de ver suas próprias fotos da infância. Todos adoram essa vivência. Ficamos absortos na busca de lembrar daquela cena registrada na imagem. Às vezes, nós lembramos e, quando isso ocorre, viajamos no tempo e nos projetamos novamente naquela situação. Via de regra, estávamos com o sorriso estampado no rosto e mostrávamos a pureza da nossa essência. Se repararmos nas nossas fotos de crianças, os nossos olhos eram vivos e vívidos. Não demonstrávamos interesses outros nem nos organizávamos para o perverso. Quando crianças, nós nos organizávamos com outras crianças, somente, para molecar e brincar. Ao olhar…

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