Apocalipse e a esperança: antípodas próximas

Eco e Martini

Prezados,

No diálogo dialético entre Umberto Eco e Carlo Maria Martini (“Em que creem os que não creem”), há uma passagem entre os protagonistas onde é abordado o apocalipse e a esperança. Esta conversação acontece na troca das duas primeiras correspondências entre Eco e Martini.

Muito rico e interessante tal refletir sobre a relação entre o apocalipse e a esperança. Na verdade, pensar sobre o apocalipse seria uma forma de pensar num presente diferente e num futuro melhor. Seria, de certa forma, um grito na busca de algo melhor com justiça aplicada àquilo ou àqueles que machucaram o presente.

Assim, Carlo Maria Martini reflete:

“… No apocalipse, o tema predominante é, em geral, a fuga do presente para refugiar-se em um futuro que, depois de ter desbaratado as estruturas atuais do mundo, instaure com força uma ordem de valores definitiva, conforme às esperanças e desejos de quem escreve o livro***. Depois da literatura apocalíptica se acham grupos humanos oprimidos por graves sofrimentos religiosos, sociais e políticos, os quais, não vendo saída alguma na ação imediata, projetam-se na espera de um tempo, no qual as forças cósmicas se abatam sobre a terra para derrotar todos os seus inimigos. Neste sentido, pode observar-se que em todo apocalipse há uma grande carga utópica e uma grande reserva de esperança, entretanto, ao mesmo tempo, uma desolada resignação em relação ao presente”.

*** ressalva feita ao falar dos livros, inclusive religiosos, onde o apocalipse é descrito.

Com tal refletir filosófico, despeço-me do domingo e desejo a todos uma ótima semana

Régis Eric Maia Barros