Faça na sua vida alguma Alegoria da Caverna

mito caverna

Deveríamos caminhar, sempre, buscando a essência e as verdades das coisas. Isto é completamente diferente do ato de se arbitrar como o dono da verdade. Nunca, devemos achar que somos proprietários dela, pois o certo mesmo é buscá-la. Nesta busca, as opiniões (doxas) precisam ceder e, dialeticamente, não poderão atuar como forma de controle e de convencimento.

Quem se lança nesta jornada em busca da essência e da verdade, modifica o que está a sua volta e vai se modificando. A quebra de dogmas próprios e de paradigmas empíricos vai se estabelecendo. O resultado sempre é positivo, mesmo que alguns incômodos surjam durante o percurso e que o ambiente a sua volta estranhe o seu mudar. Quebrar dogmas e paradigmas não vincula que sua essência valorativa será modificada, ou seja, a busca pela verdade e pelas essências não é capaz de eliminar princípios universais contidos em ti – bondade, justiça, humanismo e ética. O que muda em si é a sua construção racional frente ao mundo e aos outros bem como a forma como você se vê frente a esta nova realidade.

A luz metafórica que aparece nesta busca pela verdade quebra concepções de realidade e ilumina as sombras provenientes de percepções falsas sobre o mundo e o todo. O autoconhecimento e a educação representam holofotes para esta mudança de vida e do ser. Por isto, às vezes, as mudanças gerarão um desconforto em você e naqueles que estão a sua volta. Este desconforto confirma que a mudança naquele ser (ex: você) produziu novos “olhos” para o mundo e para si. O ser do passado é um e o ser do presente é outro. O divisor de águas, nesta construção dialética, foi o conhecimento, a sede pela verdade e a possibilidade de criticar modelos “pseudo-verdadeiros” criados pelas sombras pretéritas do desconhecimento.

A Alegoria da Caverna de Platão é um exemplo histórico e perfeito de como é possível mudar através da “luz” proveniente da busca incessante pela verdade. As sombras da caverna não trazem a essência das coisas e deixam tudo no crepúsculo. Ao sair de lá, poderemos enxergar as coisas, descobrir o mundo, crescer e, conseqüentemente, mudar o externo e o nosso interno. O trecho a seguir da Alegoria da Caverna de Platão faz uma avaliação da saída de um prisioneiro desta caverna e sua busca pela verdade – “ele poderá contemplar o sol, não o seu reflexo nas águas ou em outra superfície lisa, mas o próprio sol, no lugar do sol, o sol tal como é”. Quem seria este “ele” do texto? Na Alegoria Platônica, temos um prisioneiro simbólico e fictício. Contudo, você também poderia ser um prisioneiro? Se sim, reflita e busque a verdade para permitir que as sombras não contaminem sua vida. A verdade e a essência das coisas mudarão você e você mudará o mundo. Não tema, será belo e grandioso. A metamorfose filosófica te fará bem. Então, pergunto-te: há alguma Alegoria da Caverna na sua vida?