O pretérito presente

O pretérito presente Para escrever essa reflexão, citarei uma cena do filme Forrest Gump. Sou suspeito em falar dessa película por vários motivos sendo o mais especial o fato de ter começado minha história com a Veca, esposa e mãe dos meus filhos, assistindo esse filme. Isso há exatamente 22 anos. Pois bem, na cena abaixo, o tenente Dan perdoa o Forrest e também a Deus. O passado do tenente Dan sempre o perseguiu e o atormentou. Ao não morrer no Vietnã, comandando seu pelotão, o tenente Dan não aceitava continuar a vida, sobretudo por ter perdido suas pernas e…

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O que é o inferno?

Quando cheguei para pegar o Leozinho na escolinha, ele veio correndo em minha direção. Nós nos abraçamos como era de costume. Então, próximo do meu ouvido, ele falou baixinho: “papai, eu não vou para o inferno”! Sem entender muito bem o que aquilo significava, eu respondi perguntando: “Claro que não meu filho, mas por que você está falando isso?”. Daí, eu pude compreender do que se tratava. Durante o recreio, um dos seus coleguinhas falou, em tom de brincadeira, que ele iria para o inferno, contudo ambos não sabiam as significações da palavra inferno. Acredito que seu coleguinha escutou e…

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O tiro aos 10 anos de idade

Recentemente, após uma criança com 10 anos de idade morrer por tiro de arma de fogo em confronto com a polícia, apareceram as duas versões reducionistas: “ela atirou na polícia” e “ela não atirou na polícia”. Não percebemos que essas versões representam um pequeno detalhe sobre o caos social. A análise empobrecida sobre o “se ela atirou primeiro ou não” só servirá para culpabilizar e inocentar um lado ou outro. Nesse contexto, não nos atentamos para a reflexão mais importante: só o fato de uma criança portar uma arma de fogo evidencia o quanto estamos socialmente doentes. Pouco importa se…

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Panelas batendo

     Há uma diferença dantesca quando se escuta, por exemplo, panelas batendo num morro carioca e no Leblon ou numa periferia de São Paulo e em Higienópolis. O mesmo instrumento de metal. Claro que com qualidades e preços diferentes, mas, de fato, o mesmo utensílio. Também, eu posso afirmar que o “panelaço” coletivo é produto de algum tumulto ou algum desejo de manifestação e de comunicação. Por vezes, o que a voz não consegue falar pode ser escutado de outras formas. Então, quem sabe podemos bater panelas. Contudo, o ato de “panelar” pode desnudar o diferente. Bater panelas na…

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Peleumonia e Raôxis…

Há pouco eu vi essa reportagem no portal do Globo. Tratava-se de um jovem médico desdenhando, possivelmente, de algum paciente de classe social desfavorável. Ao procurar o colega médico, certamente, esse paciente tenha se comunicado usando sua linguagem habitual e do dia a dia.   Daí, o colega médico publica tudo em uma mídia social. Pasmem! Para um maior espanto, outros colegas médicos, ao invés de recriminá-lo, acabaram por achar tudo aquilo o máximo e entraram na onda de “zoar” com o palavreado do povo desprotegido, povo esse que, diga-se de passagem, precisa intensamente do acolhimento da nossa profissão médica.…

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Por que eles são maus, papai?

O Leozinho, atualmente, tem um fascínio interessante por vídeos do YouTube. Eis que numa noite, durante o seu jantar, ele assistia cenas do naufrágio do Titanic – o célebre filme de James Cameron. Ele notou que “os que tinham roupas bonitas podiam sair para entrar nos botes enquanto os que não tinham roupas bonitas tinham que esperar”. O meu Leozinho percebeu as definições dos maus. O mau que não é bom e o mal que não faz o bem. Portanto, ele, olhando nos meus olhos, questiona: “Por que, papai”? “Por que uns podem e outros não podem”? Como poderia responder…

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Qual o custo de ser coadjuvante da própria vida?

A vida não perdoa quem não assume o protagonismo da sua própria vida. Isso é um fato, mas, infelizmente, muitos não se atentam para tal inércia. Consequentemente, aquele que escolhe ficar alheio às demandas, responsabilidades e escolhas da vida sofrerá e receberá as cobranças dessa falta de postura. Há pessoas que sempre “terceirizam” aquilo que é da sua responsabilidade. Eles se protegem do sofrimento embutido no ato de escolher e de se posicionar. É possível que essa esquiva reflita uma fragilidade emocional a qual, se não tratada, nunca permitirá um crescimento pessoal e uma evolução psicológica. É impossível ter uma…

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A escolha do médico

  Se for gay, eu salvo Se for hetero, também salvo Preto, branco ou colorido, merece salvamento “PTista” ou “Bolsonarista”, sem titubear, salvarei Pobre ou rico, eu investirei todas as possibilidades Jovem ou idoso Pouco importará! Lutar para salvar Analfabeto ou letrado tem os mesmos direitos Salvarei do mesmo jeito Nordestino, será cuidado Sulista, será acolhido Haitiano, igualmente Morador de rua com os mesmos recursos Magnatas também serão respeitados E o traficante? Também será salvo E o policial? Lutarei por ele com todas as minhas forças Vida é vida! Pouco me importa quem está com a ferida Sem escalonamentos de…

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Fotos da nossa infância

  Como é interessante perceber que todos nós temos fascínio pelas nossas imagens da infância. Namoramos, nostalgicamente, todas elas. Quem sabe, isso tenha uma fundamentação filosófica e psicanalítica. É muito mais do que meras recordações e lembranças. Na verdade, é um resgate de nós para nós mesmos. É como se fosse o adulto de hoje dizendo para aquela criança de outrora que “muita coisa boa, bela e pura se perdeu no meio do caminho do envelhecer”. Por isso, gostamos de admirá-las e, em tempos de mídias sociais, de postá-las. Com o avanço dos anos, crescemos em muitos aspectos, contudo nos…

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Imagina! Não sou preconceituoso

    Não somos preconceituosos… Mas, Não aceitamos mulheres com salários iguais aos homens Não somos preconceituosos… Mas, Não aceitamos cotistas nas universidades Não somos preconceituosos… Mas, Não aceitamos os homossexuais e os achamos promíscuos Não somos preconceituosos… Mas, Não entendemos que a proibição da maconha não ajuda em nada Não somos preconceituosos… Mas, Não percebemos que o periférico é visto diferente daquele que vive nos bairros  nobres Não somos preconceituosos… Mas, Não queremos enxergar que o negro pobre apanha da polícia muito mais do que o branco rico Não somos preconceituosos… Mas, Não criticamos a fala de que “a…

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