Fotos da nossa infância

 

Como é interessante perceber que todos nós temos fascínio pelas nossas imagens da infância. Namoramos, nostalgicamente, todas elas. Quem sabe, isso tenha uma fundamentação filosófica e psicanalítica. É muito mais do que meras recordações e lembranças. Na verdade, é um resgate de nós para nós mesmos. É como se fosse o adulto de hoje dizendo para aquela criança de outrora que “muita coisa boa, bela e pura se perdeu no meio do caminho do envelhecer”. Por isso, gostamos de admirá-las e, em tempos de mídias sociais, de postá-las. Com o avanço dos anos, crescemos em muitos aspectos, contudo nos empobrecemos e embrutecemos em muitos outros. O peso da idade faz com que algumas coisas soem com o interesse dos nossos desejos estruturados. Alguns, já crescidos, machucam e competem. A cronologia ensina-nos que os mesmos moleques, que corriam atrás das bolas, são capazes, na vida adulta, de dar rasteiras. As bolinhas de gudes, os carrinhos de rolimãs e as bonecas perdem a graça para a ostentação de objetos que evidenciam o consumo e o poder. Deixamos de rir e gargalhar de verdade, para sorrir com o canto da boca ao conquistamos algo material. Eliminamos a aceitação natural do diferente para nos incomodarmos com aquilo que aprendemos como errado, mesmo que o errado venha de uma educação perversa. Portanto, surgem adultos preconceituosos que, muitas vezes, querem eliminar o que é diferente e contraditório. De fato, as nossas fotos de criança trazem uma saudade nostálgica sem igual. Já fomos melhores! Vale à pena rever e reviver esse momento nem que seja por fotografias antigas e descoloridas. Aqui, aproveitando essa reflexão, eu trago uma foto minha registrada há 34 anos. Tenho saudades de mim enquanto criança…

Régis Eric Maia Barros