A escolha do médico

pensativo
 
Se for gay, eu salvo
Se for hetero, também salvo
Preto, branco ou colorido, merece salvamento
“PTista” ou “Bolsonarista”, sem titubear, salvarei
Pobre ou rico, eu investirei todas as possibilidades
Jovem ou idoso
Pouco importará! Lutar para salvar
Analfabeto ou letrado tem os mesmos direitos
Salvarei do mesmo jeito
Nordestino, será cuidado
Sulista, será acolhido
Haitiano, igualmente
Morador de rua com os mesmos recursos
Magnatas também serão respeitados
E o traficante?
Também será salvo
E o policial?
Lutarei por ele com todas as minhas forças
Vida é vida!
Pouco me importa quem está com a ferida
Sem escalonamentos de importância
Sou médico e essa é a minha missão
Meus olhos deverão ser cegos e sem escolhas
Salvam-se todos sem arrodeios
Salvam-se pessoas
Humanos que sofrem
Ó mundo louco!
Uns merecem viver e outros morrer?
A medicina não permite ideologias no agir
Ética inserida no seu existir
Um espírito que não escolhe a quem salvar
Alma não tem cor
Independente de ser “santo” ou “não santo”
Ah! E se for mulher?
Meu suor para salvar
E os homens?
Buscarei de tudo para livrar
Um livramento
Todos os salvamentos
Dessa maneira o médico deve pensar
Aquele que assim não o fizer
Deveria não ser médico
Portanto, a quem devemos salvar?
A todos que precisarem do nosso salvamento
 
Régis Eric Maia Barros