Qual o custo de ser coadjuvante da própria vida?

Pena - Teatro Mágico
A vida não perdoa quem não assume o protagonismo da sua própria vida. Isso é um fato, mas, infelizmente, muitos não se atentam para tal inércia. Consequentemente, aquele que escolhe ficar alheio às demandas, responsabilidades e escolhas da vida sofrerá e receberá as cobranças dessa falta de postura.
Há pessoas que sempre “terceirizam” aquilo que é da sua responsabilidade. Eles se protegem do sofrimento embutido no ato de escolher e de se posicionar. É possível que essa esquiva reflita uma fragilidade emocional a qual, se não tratada, nunca permitirá um crescimento pessoal e uma evolução psicológica. É impossível ter uma vida plena sem se expor. Da mesma forma, não é possível crescer sem se machucar. O mundo é assim. Essa é a ciranda da vida. Por mais que o aprendizado herdado nos ensine, só perceberemos, de fato, que o espinho é pontiagudo e machuca quando tocamos nele.
Portanto, protagonizar a própria vida vinculará um background do qual extrairemos, além de ensinamentos, a essência do existir. A indiferença materializada no ato de ser coadjuvante de si mesmo mata de forma metafórica a história da pessoa. O não opinar, o não se posicionar, o não decidir e o não se assumir desnudam a pobreza da vida desse ator.
 
A promissória dessa anomia aparecerá e as cobranças serão cruéis até por que a apatia moral será capaz de transformar essa vida coadjuvante num existir de dependência. De certo, algumas simbioses se perpetuarão entre o ser “coadjuvante” e “dependente” e o(s) ser(es) coaptado(s) para cuidar dele. Uma relação perigosa e empobrecedora para ambos os lados. Perigosa pelo fato de toda simbiose criar uma dependência vital e empobrecedora pelo fato de impedir crescimentos emocionais.
 
A vida é um enredo que não permite atuações coadjuvantes, visto que, é o protagonismo que garante a certeza de sucesso e de coerência dessa existência. Embora seja cômodo se esconder nessa couraça, nada será feliz provindo dessa postura. Resta-nos o ato de se jogar na vida. De peito aberto! De corpo e alma! Sem medo de errar! Só um protagonismo proveniente de nós mesmos fará tudo isso valer à pena.
 
Régis Eric Maia Barros