O pretérito presente

O pretérito presente

Para escrever essa reflexão, citarei uma cena do filme Forrest Gump. Sou suspeito em falar dessa película por vários motivos sendo o mais especial o fato de ter começado minha história com a Veca, esposa e mãe dos meus filhos, assistindo esse filme. Isso há exatamente 22 anos. Pois bem, na cena abaixo, o tenente Dan perdoa o Forrest e também a Deus. O passado do tenente Dan sempre o perseguiu e o atormentou. Ao não morrer no Vietnã, comandando seu pelotão, o tenente Dan não aceitava continuar a vida, sobretudo por ter perdido suas pernas e por não ter tido sucesso na sua missão. O passado acompanhou a sua história até ele poder perdoá-lo como evidenciado na cena anexada aqui. A partir daí, o tenente Dan voltou a viver.

Vez por outra, o passado nos consome e nos machuca. Uma dor que ancora sem comparativos. Ficamos presos a ele, não evoluímos e nem saímos do canto. Estáticos nós nos tornamos com a sensação pulsante de pretérito presente. O que aconteceu, por vezes, marca de um jeito que fica quase impossível não conviver com acontecido, mesmo que muitos anos tenham se passado. Quando isso acontece, é como se ficássemos algemados ao que aconteceu. Uma dor desconcertante. No entanto, não haverá outra forma de evoluir que não seja a de elaborar esse passado. Muitas vezes não é possível fazer como o tenente Dan fez, ou seja, sepultar o passado e entender que o ciclo atual é e deve ser outro. Isso seria o ideal. Contudo, a lembrança crua do que passou sempre bate a nossa porta. Por isso, Mário Quintana resumiu a psicanálise na sua célebre reflexão: “o passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente”.

O que poderíamos fazer, então? Talvez, o caminho seja construir vida. Sempre que colorirmos o nosso existir com vida, a aquarela do viver compreende que as cores escuras das dores pretéritas não sobrepujarão a colorida tela do presente. Mas, se você mantiver a amargura latejante produzida pela dor do passado, as mesmas cores escuras e fúnebres se perpertuarão. Daí, não haverá paz e muito menos perdão. O tenente Dan entendeu e assim o fez. Caso o passado te assombre, tente fazer o mesmo…

http://https://www.youtube.com/watch?v=HqAbjHKO5jM

Régis Eric Maia Barros