Peleumonia e Raôxis…

Há pouco eu vi essa reportagem no portal do Globo. Tratava-se de um jovem médico desdenhando, possivelmente, de algum paciente de classe social desfavorável. Ao procurar o colega médico, certamente, esse paciente tenha se comunicado usando sua linguagem habitual e do dia a dia.

 

Daí, o colega médico publica tudo em uma mídia social. Pasmem! Para um maior espanto, outros colegas médicos, ao invés de recriminá-lo, acabaram por achar tudo aquilo o máximo e entraram na onda de “zoar” com o palavreado do povo desprotegido, povo esse que, diga-se de passagem, precisa intensamente do acolhimento da nossa profissão médica.

 

Aonde chegamos? Perdeu-se a noção do que é o mais básico para se relacionar com os outros humanos – a ética e a moral. Sem ética, não há fundamento para continuar. A ética é uma função estruturante das relações humanas e a medicina não é exceção a essa regra. Sem ética, os atos morais corromperão e desorganizarão tudo e todos.

 

Muito grave isso destacado nessa reportagem. O pior é que a sociedade pode passar a enxergar a categoria médica dessa maneira. Uma laranja estragada pode azedar o suco. No imaginário popular, nós, médicos, somos isso – arrogantes, preconceituosos e dominadores. Mas, na verdade, não somos. Há quem seja. É fato, porém nós estamos aí. Nós estamos atendendo mesmo sem condições adequadas e sem os respaldos desses governos que tanto nos machucam e que tanto desorganizam a saúde pública.

 

Fica a dica para os médicos em formação e para os jovens médicos, ou seja, medicina sem ética não serve para nada e pode até machucar. A beleza do estetoscópio no pescoço não tem nenhum valor se a ética não for usada. O colega médico da reportagem provou isso.

http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2016/07/medico-debocha-de-paciente-na-internet-nao-existe-peleumonia.html

 

Régis Eric Maia Barros