O que é o inferno?

inferno

Quando cheguei para pegar o Leozinho na escolinha, ele veio correndo em minha direção. Nós nos abraçamos como era de costume. Então, próximo do meu ouvido, ele falou baixinho: “papai, eu não vou para o inferno”!

Sem entender muito bem o que aquilo significava, eu respondi perguntando: “Claro que não meu filho, mas por que você está falando isso?”. Daí, eu pude compreender do que se tratava. Durante o recreio, um dos seus coleguinhas falou, em tom de brincadeira, que ele iria para o inferno, contudo ambos não sabiam as significações da palavra inferno. Acredito que seu coleguinha escutou e repassou a informação. Portanto, não havia maldade naquela construção, porém o Leozinho, sempre atento e esperto ao que se passa, absorveu essa fala. Diante daquele enredo, eu já sabia a pergunta em seqüência e ela veio, ou seja, o Leozinho questionou: “papai, o que é o inferno?”.

Eu não poderia e acredito que não deveria trazer como explicação a construção religiosa sobre o inferno. Eu preferi caminhar de outra forma e assim eu fiz:

“Filhinho, o inferno não é um local legal. É o local onde encontramos as pessoas que não se ajudam. É o local onde não há abraços nem beijos. É o local onde as pessoas não pegam nas mãos das outras. É o local onde as pessoas não riem nem correm de alegria. É o local sem brinquedos e sem brincadeiras. É o local das pessoas que vivem com raiva. É o local cheio de “dodói”. É o local onde as pessoas machucam aos outros. É o local triste. É o local sem música onde não se dança. É o local sem bolo e sem doces. É o local ruim e cheio de pessoas que sofrem. Então, filhinho, você nunca foi e nunca irá para o inferno. Pelo contrário, você, que é lindo e amado, deve ajudar algumas dessas pessoas que poderão ir para inferno. Sempre que você ver alguma dessas pessoas, chame-as para: dar abraços e beijos, ajudar aos outros, dar risadas, correr, brincar, se divertir, não ter raiva, comer bolo e doces, escutar música e dançar. Sempre que você fizer isso, o inferno terá menos pessoas, pois elas entenderão que não precisam ir para lá.

Na verdade, há outros infernos diferentes daqueles descritos em algumas religiões. Certamente, ao analisar essa comparação lúdica que acabei por fazer, perceberemos que existem muitos infernos e que muitas pessoas os habitam.

Seríamos habitantes de algum inferno?

Eu não sei responder, todavia um fato é certo – o meu Leozinho não é e nunca será.

Régis Eric Maia Barros