Montesquieu e a corrupção

Eis que fui ler alguns trechos da obra Espírito das Leis do filósofo moderno Montesquieu e percebi muita atualidade na sua crítica à corrupção. Para ele, o conceito de corrupção transcende ao que usamos hoje (desvio de dinheiro e negociatas políticas). A sua crítica à corrupção alcança o prisma do que ela faz com a virtude cívica. Em outras palavras, a partir dela, o olhar coletivo e a sustentação política se dissolvem por completo. Ela promove a insegurança e a falta de liberdade. Portanto, o bem comum e social deixa de existir para que os interesses particulares prevaleçam. Conforme ele destacou, o…

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Qual o humano melhor: o “selvagem” ou o “atual”?

Muitos escreveram sobre o estado de natureza do homem, ou seja, aquele ser “selvagem” que não tinha uma vida em sociedade como a que nós temos nos dias de hoje. Esse homem, em estado de natureza e desprovido de propriedades privadas, paixões e disputas, fascinava pela perspectiva de ter bondade in natura. Para Rousseau, o estado de natureza apresentava, em si, a bondade e nele poderíamos encontrar a piedade que antecedia ao próprio aprendizado do dever ser piedoso. Essa piedade do homem “selvagem” mostrava a sua capacidade de perceber e se identificar com a dor do seu semelhante. Mesmo sem…

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A tristeza teme a alegria

A tristeza é o fel da expressão da dor. Ela pode aparecer de forma aguda se provocadas por perdas desorganizadoras, sejam elas materializadas ou não. No entanto, muitas vezes, ela é insidiosa. Ela vai preenchendo um vácuo não preenchido. Ela vai se acumulando no viver daquele que se permite dominar. Infelizmente, muitos só notarão quando a plenitude de preenchimento for quase total. Quase sempre trajetórias desprovidas de propósito e de autopercepção são sinônimos de carência de alegria. A alegria está vinculada à priorização em primeira pessoa. Ou seja, entre tudo e todos se goste em primeiro lugar e faça por…

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Eu preciso duvidar

Minha cabeça é cheia de dúvidas. Minha mente é inquieta nesse propósito. Por isso, admiro o método de Descartes, sobretudo a sua primeira meditação. Vivo apresentando dúvidas hiperbólicas sobre tudo. Claro que algumas certezas testadas e algumas representações claras e distintas estão incorporadas em mim e me conduzem por aí. Mas se querem saber, o duvidar na busca de testar e de responder é a base do meu crescer. Descartes havia apontado isso como sendo aresposta às subjetividades pensantes e de forma racionalista, usando seu método, a verdade será encontrada. Mesmo que as verdades possam ser derrubadas com outras racionalizações…

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O ser humano e suas exigências

O filósofo existencialista Gabriel Marcel define o ser humano da seguinte forma: “O ser humano é definido por suas exigências. Tais exigências, contudo, podem ser aliviadas ou mesmo silenciadas pelo desespero. O mundo partido pode fazer com que as exigências definhem, deixando ao ser humano apenas a vida cotidiana e as necessidades funcionais intactas.” Com isso, podemos refletir, conforme descrito pelo professor Fatturi, que a diferença que pode existir entre a função das pessoas aprisionadas na tecnologia e a função de ser pai ou de ser cidadão ou de eleitor é que essa pessoa se tornou as listas de consumo…

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Beauvoir, feminismo e o ENEM

Nunca imaginei que algumas questões do ENEM, que traziam no seu escopo conteúdos filosóficos e sociais, gerassem tantas manifestações e várias reclamações. Pois bem, ressalto, aqui, a questão 42, que cita Simone de Beauvoir e um dos seus pensamentos. Infelizmente, pela calorosa discussão devido esse quesito, a pior conclusão de tudo isso é a percepção de como a sociedade está cindida. Muitos alegaram que houve “doutrinação”. Como assim? Doutrinação de que, de quem e para quem? Desde quando, trazer conteúdos atuais utilizando pensadores sociais e filósofos é doutrinar. Ademais, temos uma dantesca falta de capacidade para contextualizar o que está…

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Pensar o pensamento

Novamente, ressalto: Como é bom estudar filosofia! Como ela me ajuda na minha vida pessoal e profissional! Como ela permite… Pois bem, ao ler conteúdos fenomenológicos de Husserl, eis que refleti e escrevo tal reflexão para compartilhar com vocês O conceito de intencionalidade é base para a filosofia e construção fenomenológica de Husserl. A experiência e o pensamento cedendo espaço à consciência. Enfim, nossos pensamentos passam a ser analisados por nós mesmos e podemos entender que temos consciência de algo, mesmo que esse algo seja concreto ou fantasioso. Quando percebemos algo (real ou não real) já há uma intencionalidade dele…

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Quando as luzes se apagarem…

Quando o último sopro de vida tiver perto de acontecer, eu olharei para mim e questionar-me-ei sobre o meu viver. Nesse existir, eu terei uma certeza: não passarei por aqui “só de passagem”. Na verdade, ninguém deveria passar em branco pela vida. Nenhuma pessoa deveria desperdiçar as inúmeras oportunidades que ela nos oferece. No entanto, nada cai do céu ou brota, espontaneamente, no seu jardim. É preciso se movimentar e correr atrás. É preciso fazer valer e ser protagonista da própria história. Ao final dessa jornada de vida, eu desejo que todos nós possamos relembrá-la com a certeza de que…

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Somos um produto das nossas escolhas

Para falar sobre o existencialismo de Sartre e suas construções sobre liberdade e autenticidade, primeiramente, faz-se necessário valorizar o princípio existencialista de que a existência precede a essência. Perfeito, é isto mesmo. Nós nos construímos, enquanto ser, a partir das nossas escolhas. Nada é pré-determinado. Somos um produto, exclusivamente, produzido por nós mesmos. Logo, somos uma conseqüência das nossas omissões e dos nossos protagonismos. O existencialismo de Sartre traz conotações fortes e por que não dizer angustiantes, visto que, sua filosofia categoriza e afirma a liberdade do homem. Conseqüentemente, o desamparo e desespero, frente às escolhas, brotam. Tais sentimentos se…

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Alteridade – do Divino ao Filosófico

  A alteridade é uma palavra chave nesse mundo repleto de “senhores da razão e do saber”. Não é possível existir sem co-existir com os demais. Os outros são tão importantes para o nosso “ser” quanto nós mesmos somos. O “eu solitário e individual” é irreal, visto que, a relação com o mundo (atores sociais e sociedade) é o que nos rege.   Se colocar na posição do outro, entendendo o diferente, o contraditório e o distinto, não é uma tarefa fácil. Num mundo repartido em maniqueísmos e julgamentos, isso é mais complicado ainda. Em face disso, o que emana,…

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