Quando as luzes se apagarem…

luz no fim do tunel

Quando o último sopro de vida tiver perto de acontecer, eu olharei para mim e questionar-me-ei sobre o meu viver. Nesse existir, eu terei uma certeza: não passarei por aqui “só de passagem”. Na verdade, ninguém deveria passar em branco pela vida. Nenhuma pessoa deveria desperdiçar as inúmeras oportunidades que ela nos oferece. No entanto, nada cai do céu ou brota, espontaneamente, no seu jardim. É preciso se movimentar e correr atrás. É preciso fazer valer e ser protagonista da própria história. Ao final dessa jornada de vida, eu desejo que todos nós possamos relembrá-la com a certeza de que foi muito bom viver essa vida.

Assim quero fazer. Melhor, assim irei fazer. Que, ao final, eu possa perceber que errei muito, mas quem não erra? E quem disse que o errar não traz ganhos, visto que, muitos acertos são meros resultados de alguns erros. Que, ao final, eu recorde dos meus beijos, abraços, choros, desejos, medos bem como das minhas saudades, verdades, felicidades e intranqüilidades. Uma estrada com vitórias e algumas derrotas, que foram capazes de me possibilitar novas vitórias. Que, em todos os momentos, eu carregue comigo o olhar angelical e o sorriso divino dos meus filhos. Que, ao final, eu tenha a certeza de que fiz a minha amada Heveline feliz. Que, ao final, eu não use o material como medição do que eu, realmente, construí. Quero usar outras moedas afetivas de medição, por exemplo: o quanto bondoso e caridoso eu fui. Isso, sim, agrega valor e o resto é volátil e frágil. Que, ao final, eu conclua que, mesmo com as inúmeras dores do mundo, ainda vale à pena viver. Que, ao final, eu esteja sinceramente feliz. Que, ao final, outras tatuagens simbólicas sobre mim e sobre o que penso do mundo estejam na minha pele. Que, ao final, eu tenha certeza de que fui um médico, mas não um médico de graduação. Quero ser um médico de “homens e de almas”. Que, ao final, eu possa compreender que viver é uma dádiva e que os presentes da vida são dados por nós mesmos. Que, ao final, eu tenha a convicção de que apliquei muitas máximas éticas de modo que inúmeros imperativos categóricos tenham surgido do meu agir. Que, ao final, a minha infância, no interior do Ceará, esteja vívida na minha memória – sinto falta desses momentos puros. Que, ao final, os momentos dolorosos sejam sobrepujados pelos momentos harmoniosos da família e do trabalho. Que leve dentro de mim, para sempre, a presença dos amigos e a proteção dos pais. Que carregue dentro de mim, a existência fraternal dos irmãos. Que, ao final, eu possa chegar a qualquer lugar e dizer que é muito bom viver. Que, ao final, eu possa deixar essa mensagem sobre a vida. Que eu, você e todos nós vivamos da forma mais plena e completa que for possível. Que, ao final, você tenha essas e outras reflexões positivas sobre a vida. Viva, simplesmente, viva…

Régis Eric Maia Barros