Eu preciso duvidar

Caricatura decartes

Minha cabeça é cheia de dúvidas. Minha mente é inquieta nesse propósito. Por isso, admiro o método de Descartes, sobretudo a sua primeira meditação. Vivo apresentando dúvidas hiperbólicas sobre tudo. Claro que algumas certezas testadas e algumas representações claras e distintas estão incorporadas em mim e me conduzem por aí.

Mas se querem saber, o duvidar na busca de testar e de responder é a base do meu crescer. Descartes havia apontado isso como sendo aresposta às subjetividades pensantes e de forma racionalista, usando seu método, a verdade será encontrada. Mesmo que as verdades possam ser derrubadas com outras racionalizações do futuro, a aplicação da dúvida durante o viver é necessária para o existir pleno. Em outras palavras, é prudente ter a humildade de que somos, sim, ignorantes em muitos aspectos da vida interna e externa, pois não sabemos tudo ou de tudo.

Em função disso, sou rebelde nesta busca pelo saber e carrego comigo a dúvida como proposição de gatilho. Sua primeira meditação da obra (Meditações da Filosofia Primeira) versa, principalmente, sobre dúvidas e, por conseguinte, se configura numa leitura recomendada.

Assim (trecho abaixo), Descartes se colocou em seu Discurso do Método

“Fui instruído nas letras desde a infância, e por me haver convencido de que, por intermédio delas, poder-se-ia adquirir um conhecimento claro e seguro de tudo o que é útil à vida, sentia extraordinário desejo de aprendê-las. Porém, assim que terminei estes estudos, ao cabo do qual costuma-se ser recebido na classe dos eruditos, mudei totalmente de opinião. Pois me encontrava embaraçado com tantas dúvidas e erros que me parecia não haver conseguido outro proveito, procurando instruir-me, senão o de ter descoberto cada vez mais a minha ignorância. E, contudo, estudara numa das mais célebres escolas da Europa, onde imaginava que devia haver homens sábios, se é que havia em algum lugar da Terra”

Tal trecho resume o que penso e traz em mim uma cobrança – a necessidade de buscar o conhecimento e de duvidar para alcançá-lo. Por isso, concluo que aqueles que se colocam como “donos da razão” são meros tolos que não crescerão nessa vida terrena.

Régis Eric Maia Barros