A tristeza teme a alegria

On the Threshold of Eternity

A tristeza é o fel da expressão da dor. Ela pode aparecer de forma aguda se provocadas por perdas desorganizadoras, sejam elas materializadas ou não. No entanto, muitas vezes, ela é insidiosa. Ela vai preenchendo um vácuo não preenchido. Ela vai se acumulando no viver daquele que se permite dominar. Infelizmente, muitos só notarão quando a plenitude de preenchimento for quase total. Quase sempre trajetórias desprovidas de propósito e de autopercepção são sinônimos de carência de alegria. A alegria está vinculada à priorização em primeira pessoa. Ou seja, entre tudo e todos se goste em primeiro lugar e faça por merecer. Quando isto ocorre, a tristeza voa e foge. Na verdade, ela, como dito coloquialmente, “vaza”. Ela não suporte a idéia de que a alegria está chegando e batendo na porta. Ela só prospera nessa brecha que, sem notar, ofertamos – a brecha da falta de viver. De maneira existencialista, essa filosofia para conosco passa a fazer sentido, pois a tristeza é peculiar naqueles que não se gostam. Embora não seja um nexo causal absoluto, geralmente, o ser, que apresenta em si mesmo uma tristeza congelada, não se gosta há tempos. É isto: a alegria está vinculada ao fato de se olhar. Se nos mantivermos cegos para tal, a tristeza usará suas unhas em todos nós. Na verdade, atrevo-me a filosofar que a tristeza, embora real e muito presente, não existe. Ela, simplesmente, é a ausência transitória ou estendida da alegria. Esse paradoxo questionável faz um sentido imensurável se pararmos para refletir como findamos algumas tristezas que nos incomodaram. Teria sido por geração espontânea ou uma simples “força do pensamento”? Claro que não! A mudança ocorreu pela alegria contagiante, contaminante e inebriante provocada pelo seu agir para si. Em tese, uma ação potente e, por vezes, difícil de operacionalizar, todavia que vale muito à pena. Com esse agir, o ator do processo deixa de ser coadjuvante para ser protagonista da própria vida. Ao final, depois desse passo, a tristeza é exorcizada e irá possuir outra mente, pois ela teme, em demasia, esse estado alegre de nos olharmos com olhos benevolentes de se gostar.

Régis Eric Maia Barros