Somos um produto das nossas escolhas

Sartre

Para falar sobre o existencialismo de Sartre e suas construções sobre liberdade e autenticidade, primeiramente, faz-se necessário valorizar o princípio existencialista de que a existência precede a essência. Perfeito, é isto mesmo. Nós nos construímos, enquanto ser, a partir das nossas escolhas. Nada é pré-determinado. Somos um produto, exclusivamente, produzido por nós mesmos. Logo, somos uma conseqüência das nossas omissões e dos nossos protagonismos. O existencialismo de Sartre traz conotações fortes e por que não dizer angustiantes, visto que, sua filosofia categoriza e afirma a liberdade do homem. Conseqüentemente, o desamparo e desespero, frente às escolhas, brotam. Tais sentimentos se agravam ao saber que fomos livres e tivemos consciência de escolher as referidas escolhas. Pode-se, inclusive, usar da má-fé para projetar e terceirizar a “culpa” pelas escolhas, todavia não existem ressalvas, pois nós, sempre, executamos o direito de escolher. Isso é o que nos constrói enquanto ser. Destaco que, conforme trabalhado por Sartre, as escolhas estão ligadas a essa liberdade plena. Saber disso dói! A dor representa uma pontada da agulha em nossa pele como conseqüência de ter escolhido algo/alguém ou deixado de escolher algo/alguém. Mas é na dor e na angústia que, quem sabe, poderemos encontrar a autenticidade. A partir daí, nós, também, poderemos perceber nossas escolhas e depois nossa essência. A partir de então, podemos, até, mudar. Desde que compreendamos a nossa liberdade frente esse escolher, poderemos construir uma nova essência sob a égide da liberdade. Esquecendo determinismos, ações divinas e outros componentes enviesados da má-fé, nós teremos, em Sartre, a percepção de que somos “livres” para escolher. Não há na conceituação de Sartre o pensar projetivo das escolhas, ou seja, não somos produtos das situações, mas sim escolhemos (escolher ou não escolher) de forma autêntica. Prudente e adequado é a teoria existencialista de Sartre, visto que, somos, eu e você, produtos de nós mesmos que foram construídos, também por nós mesmos, durante nossa liberdade de escolher e de viver.

 

Régis Eric Maia Barros