Alteridade – do Divino ao Filosófico

Alteridade Madre Teresa

 

A alteridade é uma palavra chave nesse mundo repleto de “senhores da razão e do saber”. Não é possível existir sem co-existir com os demais. Os outros são tão importantes para o nosso “ser” quanto nós mesmos somos. O “eu solitário e individual” é irreal, visto que, a relação com o mundo (atores sociais e sociedade) é o que nos rege.

 

Se colocar na posição do outro, entendendo o diferente, o contraditório e o distinto, não é uma tarefa fácil. Num mundo repartido em maniqueísmos e julgamentos, isso é mais complicado ainda. Em face disso, o que emana, geralmente, é a exclusão e o repartir. De um lado, ficarão os que são “certos”. Já o outro lado, será povoado pelos “errados e errantes”. Essa contextualização é a base para a ebulição de maldades fascistas, preconceituosas e eugênicas. Enfim, essa repulsa pelo que é diferente, num ato desprovido de alteridade, provoca repetidas vezes o extermínio. Esse exterminar pode ser de vida, mas também moral e psicológico.

 

Sem alteridade, somos brutos e inúteis do ponto de vista humanístico. Cito, aqui, Lucas 23:34 – “Pai, perdoai-os porque eles não sabem o que fazem”. O divino mostrando a necessidade da alteridade. Mesmo que não creia em absolutamente nada, você pode compreender que isso é pura alteridade. Entender a atitude de um crucificador é um agir, em alteridade, sem comparativos. Isso vincula Mateus 5:44 com a mensagem bondosa de “Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem”. Podemos ser ateus e agnósticos, contudo não é prudente perder a alteridade. É ela a peça fundamental da homeostase social humana.

 

Os direitos humanos e o ordenamento social demandam dela. Ela está de mãos dadas com a ética no regular dos nossos ímpetos dominadores e de repreensão. Ela é uma mistura de divino e filosófico. Mais do que uma palavra, a alteridade é a essência do viver, pois, sem ela, não viveremos, mas sim nos exterminaremos. A sua construção, o seu significado e a sua importância são de responsabilidade de todos.

 

Esse mundo povoado pela doença do individualismo e do hierárquico causa danos diversos. Infelizmente, os mais poderosos acabam por acreditar que esse dano acontecerá naqueles mais vulneráveis. Ledo engano, pois somos interconectados. Ao matar, morreremos. Ao esquecer, seremos esquecidos. Ao julgar, receberemos um julgamento. Tudo ao seu tempo, mas o que sai de nós voltará também.

 

 

Régis Eric Maia Barros