Setembro amarelo para prevenir o suicídio

O mês de setembro é simbólico para todos nós que atuamos na saúde mental. Com a cor amarela, nós o saudamos, pois, com ele, tentamos mobilizar e conscientizar a sociedade sobre um grave problema de saúde pública – o suicídio. O número de suicídios e suas estatísticas são alarmantes e assustadoras. Mesmo havendo uma subnotificação, a prevalência de suicídio evidencia uma epidemia. Vidas são perdidas precocemente durante todos os dias do ano. Todos nós já perdemos alguém próximo ou algum conhecido que cometeu suicídio. Apesar disso, nós nos calamos e a sociedade se finge de cega frente a essa triste…

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Gratidão, um sentimento apaixonante

Hoje, acabei de dar alta a uma paciente que sigo há aproximadamente 5 anos. Foram vários encontros e muitas conversas. Tivemos momentos difíceis em face do seu adoecimento, mas também vivemos momentos nobres em consequência da nossa vinculação. Criamos um belo vínculo. Falo para todos que a psiquiatria verdadeira é essa - uma relação terapêutica que se alimenta do vínculo. Sem ele, as medicações farão muito pouco. Com ele, todas as abordagens de tratamento, farmacológicas ou não, serão sinérgicas. Uma ligação eticamente afetiva faz toda a diferença nas nossas relações com os pacientes. Por isso, é praticamente regra termos um…

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Aumentar leitos psiquiátricos: solução ou retrocesso?

Recentemente, uma nova discussão sobre os leitos psiquiátricos veio à tona. Isso é recorrente e, infelizmente, tende a ser uma defesa apaixonada e ideológica. Há uma faixa de discussão aonde os extremos vão se digladiando. De um lado, encontramos alguns que acreditam que a internação psiquiátrica é desnecessária e defendem o fim desse recurso terapêutico. Do outro lado, percebemos os defensores dos hospitais psiquiátricos os quais defendem o aumento dos leitos acreditando que isso resolveria o problema da saúde mental brasileira. Nesse confronto, o Ministério da Saúde e sua Coordenação de Saúde Mental deixaram a entender que a expansão dos…

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Saudades que elogiam o passado

No futuro, as vivências boas e gostosas do passado saltarão na mente de todos nós. Passados praticamente 25 anos, hoje, eu me peguei lembrando-se da época em que eu ia ao estádio de futebol com o meu pai e os amigos do bairro. Morávamos num bairro humilde da periferia de Fortaleza, chamado Álvaro Weyne. Um dos lazeres compartilhados por nós era esse: ir ao estádio para assistir os jogos do Fortaleza, time que torcíamos. Os jogos aconteciam no meio da semana, nas quartas ou quintas, e no domingo. Estacionávamos nosso carro na “pracinha da Gentilândia” e tentávamos chegar cedo para…

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A arte censurada

Não sou um expert em arte nem tenho conhecimento profícuo para me colocar no papel de crítico. Sou somente um admirador. Por pensar assim, eu aceito todas as formas e expressões artísticas. Todavia, a aceitação passou a ser uma palavra morta nesse país maluco. A celeuma criada sobre a exposição “Queermuseu” prova isso. Os conservadores reacionários ficaram ouriçados e bravejaram. Eles afirmaram que aquela exposição era uma apologia à pedofilia e zoofilia. Francamente! Será que eles acreditam que um visitante, ao ver uma pintura qualquer, sairá transando com crianças ou com animais? Na verdade, sempre há algo por detrás de…

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Há saúde na mente doente

Quando o equipamento mental fica repartido e fragmentado, a dor é desorganizadora. Assim, a nossa mente fica se padecemos com alguma doença mental. Independente da categoria (depressiva, afetiva, psicótica ou ansiosa), o sofrimento mental, causado por essas doenças, é capaz de produzir um mal estar que incomoda e perturba. Apesar disso, nunca haverá uma “loucura” plena, visto que a nossa mente mantém componentes saudáveis. Na verdade, a palavra “loucura” é, em tese, ingrata e injusta, pois rotula e elimina, preconceituosamente, capacidades. Preciso compartilhar, nesse pequeno texto, que existe saúde até na mente do paciente mais adoentado e desorganizado por uma…

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Cannabis e a Justiça: um sopro de esperança

Recebi de forma esperançosa a decisão judicial proferida no Ceará pela Excelentíssima Juíza Maria das Graças Almeida de Quental. Nela, a magistrada permite o cultivo da maconha para uso medicinal por parte de um paciente tetraplégico. Quando se fala de maconha, cria-se uma sombra preconceituosa que impede o diálogo. Nesse cenário, não é raro que os teóricos ultrapassem os argumentos científicos e sociais de modo que a cegueira se instala. A incapacidade de pensar impera e, infelizmente, a questão do uso medicinal dos derivados da maconha ainda sofre com essa roupagem na sociedade brasileira. Para alguns, não há lastro científico…

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O que eu quero

Flores ao montes Belas rosas defronte Minha vida Quero beijos estalados E meus olhos no céu estrelado Retribuindo o amor Ora contrariado Pelo amargor dessa vida Que machuca Quero um ópio diferente Não da planta nem de aguardente Quero sentir a beleza de existir Viver a mil Piruetando no meu tempo Esse é o meu fuzil A munição é o meu sorriso A infantaria nos próprios sonhos Minha plenitude é a arma Dentro de mim pulsa Um coração que luta Diariamente, bate e chuta O que é de ruim Constantemente, empurra O melhor de mim Pela felicidade, guerrearei Por mim,…

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A admirável força dos homens e mulheres trans

Como servidor público e perito judicial de um dos maiores tribunais do Brasil (TJDFT), eu me sinto na obrigação de compartilhar essa reflexão. Trata-se da minha experiência ao periciar homens e mulheres trans. Um relato curto com algumas poucas considerações. Por estar sendo uma tarefa gradativa na minha prática de trabalho, eu pude perceber alguns pontos que destacarei a seguir. A determinação e a força deles são dignas de nota. Isso merece ser ressaltado e, sobretudo, admirado. Imagine você ter que nadar contra uma correnteza forte e agressiva durante uma longa jornada da vida e, mesmo assim, se manter aguerrido…

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A trajetória da saudade

Por que saudade você nos consome? Qual é a tua base Fale seu nome Olhe nos meus olhos Me abandone Saia de mim... Deixe-me respirar Minhas recordações a saltar Memórias que pulsam Lembranças soluçam Lágrimas correndo Em olhos inchados Sentimento enlouquecendo Coração apertado Um elogio ao passado Assim, tu és ó saudade! Representas o que foi bom Mas, a vida corre Não temos o dom Do eterno Acaba-se Renova-se Mudamos e perdemos Crescemos e ganhamos Mas, o que valeu fica marcado Mesmo que ultrapassado Tudo lembraremos E novamente vivenciaremos A saudade é uma das nossas realidades Régis Eric Maia Barros

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