Gratidão, um sentimento apaixonante

gratidão

Hoje, acabei de dar alta a uma paciente que sigo há aproximadamente 5 anos. Foram vários encontros e muitas conversas. Tivemos momentos difíceis em face do seu adoecimento, mas também vivemos momentos nobres em consequência da nossa vinculação. Criamos um belo vínculo. Falo para todos que a psiquiatria verdadeira é essa – uma relação terapêutica que se alimenta do vínculo. Sem ele, as medicações farão muito pouco. Com ele, todas as abordagens de tratamento, farmacológicas ou não, serão sinérgicas. Uma ligação eticamente afetiva faz toda a diferença nas nossas relações com os pacientes. Por isso, é praticamente regra termos um carinho especial com os nossos pacientes e tenho a certeza que, em havendo esse vínculo, eles alimentam o mesmo sentimento para conosco. Quando me despedi da paciente descrita acima, ela deu um beijo carinhoso no meu rosto, abraçou-me e, ao se dirigir para a porta, fitou meus olhos e disse: “muito obrigado, querido doutor. Sou muito grata por tudo que foi feito aqui. Carregarei essa gratidão por toda a minha vida”. O ato de ser grato por alguém carrega em si uma riqueza de amor que nem sei como mensurar. A gratidão é um sentimento sem interesses e de uma sinceridade tremenda. Quando somos gratos, expressamos, com alteridade, que o outro nos ofereceu algo o qual ficará marcado por toda a nossa existência. A gratidão é mais do que um simples agradecimento, pois o agradecer pode ser mera formalidade. A gratidão, ao contrário do agradecimento, não é formal, mas sim um agir real que requer um envolvimento afetuoso. Somos gratos àqueles que, de fato, somaram algo a nossa vida. Enfim, receber a gratidão dos meus pacientes significa que o caminho que percorri, dentro da minha função médica, foi o certo. Portanto, se o paciente fica grato com o seu médico, podemos concluir que o “médico” realmente foi um médico.

Régis Eric Maia Barros