Há saúde na mente doente

mente doente

Quando o equipamento mental fica repartido e fragmentado, a dor é desorganizadora. Assim, a nossa mente fica se padecemos com alguma doença mental. Independente da categoria (depressiva, afetiva, psicótica ou ansiosa), o sofrimento mental, causado por essas doenças, é capaz de produzir um mal estar que incomoda e perturba. Apesar disso, nunca haverá uma “loucura” plena, visto que a nossa mente mantém componentes saudáveis. Na verdade, a palavra “loucura” é, em tese, ingrata e injusta, pois rotula e elimina, preconceituosamente, capacidades. Preciso compartilhar, nesse pequeno texto, que existe saúde até na mente do paciente mais adoentado e desorganizado por uma grave psicose. Isso nos leva a entender que o adoecimento mental não transforma o doente mental em um ser inexistente. Isso leva a uma reflexão importante sobre o tratamento. Portanto, aquele que pretende ser profissional em saúde mental precisa cuidar do doente mental plenamente. Nós precisamos estimular, proteger e hipertrofiar os aspectos saudáveis da mente adoecida e deveremos tratar, modificar e melhorar os aspectos doentes dessa mente que padece de dor. Valorizar o que é saudável, tratar o que é doente e estimular o doente mental a acreditar na sanidade da sua própria mente. Claro que os medicamentos ajudam nessa travessia, contudo, somente, eles não serão capazes dessa alquimia. A arte da medicina e, mais especificamente, da psiquiatria está nisso – lutar contra a “loucura”, mostrando para ela que o que é saudável, mesmo em pequenas quantidades, sempre será capaz de sobrepujá-la.

Régis Eric Maia Barros