Cannabis e a Justiça: um sopro de esperança

maconha medicinal

Recebi de forma esperançosa a decisão judicial proferida no Ceará pela Excelentíssima Juíza Maria das Graças Almeida de Quental. Nela, a magistrada permite o cultivo da maconha para uso medicinal por parte de um paciente tetraplégico.

Quando se fala de maconha, cria-se uma sombra preconceituosa que impede o diálogo. Nesse cenário, não é raro que os teóricos ultrapassem os argumentos científicos e sociais de modo que a cegueira se instala. A incapacidade de pensar impera e, infelizmente, a questão do uso medicinal dos derivados da maconha ainda sofre com essa roupagem na sociedade brasileira.

Para alguns, não há lastro científico que permita concluir que a maconha tem um papel terapêutico diferenciado para muitas afecções da saúde, mesmo que isso seja percebido noutros países. Então, o que poderíamos falar àqueles pacientes que cessam suas dores, seus espasmos e suas convulsões com o uso de derivados da maconha? Qual a resposta científica e humanística que daremos a essas pessoas caso apoiemos a não utilização da maconha para o uso medicinal?

Por isso, essa decisão judicial se consolidará como uma vanguarda para que esse entendimento prevaleça. Se alguém não teve sucesso com os tratamentos convencionais e passa a ter com a maconha, qual o motivo de vetá-la ou proibi-la? A reflexão continua se pararmos para pensar que tais tratamentos são bem onerosos e inacessíveis a grande maioria das pessoas. Logo, por que não permitir o cultivo próprio para uso medicinal?

Entendo que a não permissão configura ato de crueldade, pois impossibilita o paciente, que padece, de ter a única ferramenta que diminui o seu sofrimento – a maconha. E essa proibição fica atrelada ao entendimento preconceituoso que se manteve no tempo. A verdade é uma só! Se seu filho, sua mãe ou qualquer ente amado necessitassem de maconha para tratar uma doença ou um sintoma intratável, possivelmente, você faria de tudo para consegui-la. Talvez, você até utilizasse meios ilícitos para tal.

Portanto, está na hora dessa sociedade deixar de ser hipócrita. O momento requer atuações da justiça como a que foi destacada aqui. Há de se ter bom senso para soltar as correntes do obscurantismo. Fechar os olhos para isso significa não se importar com a dor do outro. Será a morte da alteridade. Como dito por Shakespeare, “todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente”. Por isso, sou totalmente a favor do uso medicinal da maconha e do seu cultivo próprio para esse fim.

https://g1.globo.com/ceara/noticia/justica-do-ceara-autoriza-cultivo-de-maconha-a-paciente-tetraplegico-para-uso-medicinal.ghtml

Régis Eric Maia Barros