Saudades que elogiam o passado

PV infância

No futuro, as vivências boas e gostosas do passado saltarão na mente de todos nós. Passados praticamente 25 anos, hoje, eu me peguei lembrando-se da época em que eu ia ao estádio de futebol com o meu pai e os amigos do bairro. Morávamos num bairro humilde da periferia de Fortaleza, chamado Álvaro Weyne. Um dos lazeres compartilhados por nós era esse: ir ao estádio para assistir os jogos do Fortaleza, time que torcíamos. Os jogos aconteciam no meio da semana, nas quartas ou quintas, e no domingo. Estacionávamos nosso carro na “pracinha da Gentilândia” e tentávamos chegar cedo para ter um ponto estratégico de saída ao final do jogo. De começo, pela nossa idade, nem pagávamos ingresso. Passávamos por debaixo da roleta. Ficávamos num setor do Estádio Presidente Vargas (PV) o qual era chamado “Cimento Especial”. Não existiam cadeiras e sentávamos no cimento dos próprios degraus da arquibancada. O mais engraçado era perceber que os torcedores eram os mesmos de todos os jogos. As mesmas caras e as mesmas figurinhas. A estrutura de acomodação era precária para os que ali estavam. Os vendedores ambulantes transitavam por entre as fileiras de degraus sem ter espaço. Consequentemente, chutes despretensiosos nas nossas costas eram corriqueiros. A estrutura era muito desconfortável, mas confesso: era muito bom e muito feliz estar ali. Tenho saudades! No intervalo, comíamos alguma coisa. O cardápio era bem restrito e o mais escolhido era o famoso “churrasquinho de gato”, o saboroso “cai duro” e o milho cozido. Vez por outra, alguém tinha alguma intoxicação alimentar. Pouco importava, pois estávamos vivendo um momento da vida repleto de felicidade. Ela é assim mesmo, ou seja, a felicidade necessita de muito pouco para se concretizar. Felicidade é isso: ter o que, realmente, precisamos ter sem precisar buscar aquilo que a fantasia do luxo nos traz. Ao terminar o jogo, independente do resultado, íamos embora alegres e preenchidos de bons sentimentos. Encarávamos o engarrafamento sem raiva e sem o mínimo de estresse. O tempo passou. Não resido em Fortaleza desde 2001. Desde então, não retornei ao PV. Hoje, eu tive uma saudade imensa. Afirmo que, se eu estivesse lá, iria nesse final de semana assistir a um jogo do meu querido Fortaleza…

(*) Foto recente cuja localização de quem tirou reflete o “Cimento Especial” do PV

Régis Eric Maia Barros