A arte censurada

Queermuseu

Não sou um expert em arte nem tenho conhecimento profícuo para me colocar no papel de crítico. Sou somente um admirador. Por pensar assim, eu aceito todas as formas e expressões artísticas. Todavia, a aceitação passou a ser uma palavra morta nesse país maluco.

A celeuma criada sobre a exposição “Queermuseu” prova isso. Os conservadores reacionários ficaram ouriçados e bravejaram. Eles afirmaram que aquela exposição era uma apologia à pedofilia e zoofilia. Francamente! Será que eles acreditam que um visitante, ao ver uma pintura qualquer, sairá transando com crianças ou com animais?

Na verdade, sempre há algo por detrás de discursos conservadores como esse. Certamente, usando referenciais psicanalíticos, eu posso descrever que: aquele que enxerga “sujeira” em tudo acaba por tentar esconder a sua própria imundice. Portanto, se alguém só enxerga “podridão” no externo, é possível que exista muita putrefação em seus comportamentos. Daí, ficará mais fácil projetar e depositar o rótulo do “pecaminoso” no outro ou nas manifestações da vida afora. Para mim, é isso que ocorre com muitos dos que criticaram a exposição “Queermuseu”. Um discurso ácido, agressivo e de falso puritanismo. Esse foi o mote o qual se repete sempre. Os falsos profetas moralistas vêem falos, surubas e perversões em tudo. Talvez, eles mesmos tenham problemas nos seus desenvolvimentos psicológicos e na sexualidade.

Imaginem os grandes pintores e artistas Renascentistas sendo podados de fazer o que eles acreditavam ser o melhor para suas expressões artísticas. Uma poda realizada por uma percepção preconceituosa e projetiva. Esse evento prova como o Brasil vive uma dicotomia ideológica que aparece até nas manifestações artísticas.

Afirmo que a arte evidenciada nas telas da exposição “Queermuseu” não enche meus olhos. Como falado acima, eu não tenho condição técnica para avaliar a qualidade dessa arte. Logo, serão os meus sentidos empíricos que ditarão se eu gostarei ou não. Contudo, eu nunca terei o direito de dizer que essa ou aquela arte faz apologia à perversão ou que ela é uma arte “ruim” para os “homens e mulheres de bem”. Se assim fizer, eu me aproximarei do Período Medieval com o seu Index Librorum Prohibitorum. Em tempos nebulosos, que tentam enegrecer o pensar e o sentir com proibições e censuras estapafúrdias, finalizo citando Bertold Brecht o qual dizia que: “todas as artes contribuem para a maior de todas as artes, a arte de viver”.

* imagem retirada do acervo da Exposição Queermuseu

Régis Eric Maia Barros