E quando o cassetete machucar?

E quando o cassetete machucar? Cenas como a destacada no vídeo abaixo mostram como a sociedade está adoentada. Ressalto que o objetivo desse meu curto artigo é refletir sobre a nossa capacidade para sermos agressivos e habilidosos em propagar o ódio. Não desejo desvalorizar nenhuma instituição policial ou de segurança até por que creio que quem age dessa forma não promove segurança. Ninguém pode apoiar isso. Pouco importa se o morador de rua faz ou não uma atividade legal. Pouca importa se o morador de rua desacatou ou não a autoridade. Pouco importa! Nada justifica uma agressão tão covarde. Seria…

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O medo do futuro…

Quando nossos filhos nascem, tudo muda. Quando nos dedicamos a eles, entendemos que a prioridade é outra. Quando o amor sublime cresce nessa relação com eles, sem notar, passamos a pensar primeiro neles do que em nós mesmos. Em face disso, eu temo o futuro. Por causa disso, eu me angustio ao ver como as coisas estão andando. Por mais que eu os proteja e ensine os caminhos certos da vida, o mundo terá um grande potencial de machucá-los. Não que isso nunca acontecera, mas é por que as coisas do presente estão muito mais graves. A mesquinhez humana alcançou…

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Vivendo nas ruas

Já tive uns 5 pacientes que foram moradores de rua. Ao entrevistá-los, um conteúdo em comum chamava a minha atenção – as relações nas ruas. Nenhum deles se queixava da vivência de rua. Claro que alguns tinham uma patologia psicótica e isso, em alguns momentos, afetava seu julgamento da realidade. Mesmo assim, todos, sem exceção, afirmavam que, na rua, as relações eram mais “humanas e verdadeiras”. Com eles, eu tive o privilégio de aprender sobre as relações entre aqueles que não possuem grana. Tive a honra de escutar histórias verdadeiras sem filtros ou freios sociais. Nenhum deles afirmou que viver…

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As minorias

Atacadas pelos fortes Sem pena Sem dó Históricos chicotes Pauladas constantes Desproteção reinante No lombo deles As minorias... Sozinhos no tempo Reféns do momento A maioria brada “todos são iguais” O certo é ser Mas, é cego O que não ver Ou não que enxergar De fato, não são Basta ver a perseguição Enfrentada por eles Preconceito! Açoite! Exclusão! Palavras fortes Isso as minorias sofrem Um salve a eles Por favor, salvem eles Aristotélico e justo Há de se incluir Ponto! Há de se diminuir diferenças Pronto! As minorias merecem A história recontada aparece Um dia quem sabe Evitaremos essa…

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Um par de sapatos

Periferia! Essa era a minha vida. Com muito orgulho, comecei daí. Como muito prazer, comecei sonhar a partir de lá. Um bairro pobre e periférico na cidade de Fortaleza/CE. Ele se chamava Álvaro Weyne. Como qualquer bairro periférico, a conjuntura era a mesma, ou seja: molecada na rua, pouco dinheiro e muita alegria. Uma criança e um adolescente humilde que buscava, somente, ter uma vida melhor e, quiçá, feliz. Assim, eu era. As limitações financeiras nunca foram capazes de frear os meus sonhos, embora entenda que é muito mais complicado sonhar em condições desfavoráveis. Desse modo, a palavra meritocracia é…

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Por que e para que existimos?

As perguntas iniciais do pensar filosófico sempre me fascinaram. Refletir sobre aquilo que é plenamente desconhecido configura uma tarefa de sobrevivência. Daí, quando questionamos os fatos primários da vida, nós respondemos muito sobre a nossa existência. Essas respostas buscam fornecer um sentido à nossa própria vida. Entendo que viver transcende a vida fisiológica e os condicionamentos dos comportamentos da rotina. Viver representa uma descoberta constante e crescente. Viver é um encontro consigo o que permite manter a certeza de que vale a pena continuar existindo. Nós devemos nos descobrir potencializando o máximo de conforto psicológico na nossa vida. Diante de…

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Eugenia na cracolândia

É um atrevimento moral o ato de “limpar” a cidade sob o falso pretexto de cuidar dos desassistidos. A operação policial, que aconteceu hoje nas ruas da cracolândia paulistana, evidencia isso. Forças de segurança expulsando pessoas e derrubando prédios com a falácia de que “elas serão tratadas”. Mas, como tratamos alguém que não está motivado a mudar o comportamento problema? Os defensores das internações compulsórias afirmam que seria esse o método de escolha. Contudo, de que adiantaria, por si só, internar prolongadamente algum dependente de crack se nada na vida dele mudará? A atitude de acabar a cracolândia à fórceps…

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O dilema ético-médico das Cracolândias

Ninguém pode negar que as cracolândias, sobretudo a da cidade de São Paulo, representam um grave problema para a sociedade. Estamos diante de uma questão de difícil resolução e com representações sociais, jurídicas, éticas e de saúde. Fica claro que o Estado não sabe o que fazer e, por isso, sem notar, acaba fazendo o que não deveria ser feito. A medicina é uma arte alicerçada em três pilares: ética, humanismo e ciência. Em situações como estas das cracolândias, os médicos deverão sempre embasar suas práticas aplicando esse tripé. Como usar isso na reflexão sobre as cracolândias? Por exemplo, a…

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O apedrejamento moderno

No passado, os leprosos eram apedrejados, os tuberculosos eram isolados em instituições distantes e os "loucos" trancafiados nos manicômios. A sociedade, usando de um falso argumento higienista, acabava por ser eugênica. Quem feria a ordem dos costumes e deixava exposto alguma mazela humana não era bem visto. Portanto, os pedintes, os alcoólatras, os lázaros e os loucos recebiam o crivo severo da exclusão. Sempre foi assim e, desse jeito, continua sendo. Os séculos passaram, mas a concepção social da humanidade permanece inalterada. O discurso é semelhante ao do passado. A idéia exposta era a de cuidar de todos os mazelados.…

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A riqueza do sonhar

O que seria da vida sem os sonhos? Eu, sem sonhos, morreria e creio que todos também. Pois, vida é a expressão material do sonhar. Em tese, sem os sonhos, não há desejo e, por conseguinte, não há motivação para existir e continuar. Sonhar é uma forma de acontecer. Sonhar com os olhos abertos impulsiona a nossa vida para o futuro. Portanto, se nos esquivarmos de sonhar, optaremos por fechar os olhos num ato simbólico de morrer. Por isso, eu considero um homicida todos aqueles que desestimulam os sonhos dos sonhadores. Quem faz isso acaba por agir de forma dolosa.…

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