O medo do futuro…

miséria e pobreza

Quando nossos filhos nascem, tudo muda. Quando nos dedicamos a eles, entendemos que a prioridade é outra. Quando o amor sublime cresce nessa relação com eles, sem notar, passamos a pensar primeiro neles do que em nós mesmos. Em face disso, eu temo o futuro. Por causa disso, eu me angustio ao ver como as coisas estão andando. Por mais que eu os proteja e ensine os caminhos certos da vida, o mundo terá um grande potencial de machucá-los. Não que isso nunca acontecera, mas é por que as coisas do presente estão muito mais graves.

A mesquinhez humana alcançou níveis alarmantes. A carência de ética é uma característica comum nessa sociedade moribunda. Já não sabemos se, ao sair de casa, voltaremos. É impossível prever o que a ganância humana é capaz de fazer. Por vezes, imagino que um futuro apocalíptico, tais quais o de Mad Max e de Resident Evil, são possíveis. Matamos e nos matamos. Sangramos e somos sangrados. Isso acontece todos os dias. Parece que vivemos por viver e não pela busca do que é o melhor – a nossa felicidade e a daqueles que amamos. De que adianta ter passado por essa vida terrena e mundana sem deixar um legado de paz, vida e amor para os nossos filhos? Não adiantaria nada, pois, se assim for feito, não construímos vida. Simplesmente, de forma boçal, caminhamos de maneira animalesca pela nossa existência.

De onde provém a fome?
De onde provém a guerra?
De onde provém o mal?

Produtos do homem. Criados por nós e sem participação alguma de outros atores. Atônitas, as outras espécies assistem a nossa gana. Assustados e com gastura, eles percebem o quanto podemos machucar. Não paramos para pensar nisso e a conseqüência é tão danosa que acabamos por deixar um mundo pior, justamente, para o nosso bem maior, os nossos filhos.

Pensar sobre isso e filosofar sobre a nossa participação direta ou indireta para esse desfecho, causa-me uma angústia difícil de nominar. Tudo isso é muito louco! Tudo isso não faz sentido! Imaginem assistirmos uma espécie que se suicida dia após dia. Reflitam como nosso potencial deletério está acabando com tudo e com todos. Os pecados capitais, de fato, mostram e provam a nossa bestialidade e brutalidade. Essa espécie é a nossa. A espécie mais perigosa – os humanos.

Eu temo o futuro. Gostaria de criar uma proteção infinita aos meus pequenos filhos, mas sou sabedor da impossibilidade disso. O humano machuca e agride a si mesmo. Portanto, por mais que possamos criticar a descrição do Agente Smith (Matrix) sobre os humanos, não podemos deixar de aceitar que faz um sentido. Assim, ele nos classificou: “Eu gostaria de compartilhar uma revelação que tive durante meu tempo aqui. Veio a mim quando tentei classificar a sua espécie. Percebi que vocês não são realmente mamíferos. Todo mamífero neste planeta desenvolve instintivamente um equilíbrio natural com seu meio ambiente; vocês não fazem isso. Vocês se mudam para uma área, se multiplicam e se multiplicam até que todos os recursos naturais sejam consumidos. A única forma de sobreviverem é se propagando para outra área. Há um outro organismo neste planeta que segue o mesmo padrão: os vírus. Seres humanos são uma doença, um câncer neste planeta. Vocês são uma praga”.

Muito forte tudo isso e aceito que minha visão está niilista e pessimista, contudo como poderíamos pensar e fazer diferente?

Régis Eric Maia Barros