E quando o cassetete machucar?

E quando o cassetete machucar?

Cenas como a destacada no vídeo abaixo mostram como a sociedade está adoentada. Ressalto que o objetivo desse meu curto artigo é refletir sobre a nossa capacidade para sermos agressivos e habilidosos em propagar o ódio. Não desejo desvalorizar nenhuma instituição policial ou de segurança até por que creio que quem age dessa forma não promove segurança. Ninguém pode apoiar isso. Pouco importa se o morador de rua faz ou não uma atividade legal. Pouca importa se o morador de rua desacatou ou não a autoridade. Pouco importa! Nada justifica uma agressão tão covarde.

Seria um ato isolado? Infelizmente, não, visto que são inúmeros os casos em que a “força” do agente de segurança pública é bem maior do que a necessária para a situação. Esses casos precisam ser denunciados, coibidos e punidos com rigor. As próprias instituições de segurança e seus profissionais (militares e civis) têm, por obrigação, manifestar um repúdio a atitudes como esta. Quando o cassetete bate e estala na pele e nos ossos de alguém, em situações semelhantes a esta, não machuca somente aquele que sofreu a agressão. Há um dano em todos nós. Há um dano social. Hoje, foi ele que apanhou e foi humilhado. Amanhã, poderá ser eu ou você. Se você acha que nunca acontecerá com um de nós por que “somos trabalhadores”, lamento informar que você se enganou. O sarrafo desse tipo de violência é movido pelo equívoco e o excesso de quem bate e não pela capacidade produtiva ou “bondade social” de quem apanha. Desse modo, se você for percebido “negativamente”, haverá chances de apanhar. E, em apanhando, não ficarão guardados em ti somente hematomas ou escoriações, mas também a humilhação e a ferida moral.

Está errado. Ponto final! Não há a mínima possibilidade de querer defender os excessos. Esses excessos acontecem de forma corriqueira seja em abordagens isoladas ou nos conglomerados das manifestações coletivas de rua. Um bater por bater! Um agredir por agredir! Que se use a força proporcional nos momentos em que ela for necessária. Que se tente dialogar e encontrar uma solução pacífica nos momentos em que isso for possível. Antes de partir para um confronto violento, precisam-se esgotar outras possibilidades de abordagem.

Diante disso, resta-nos pensar qual foi o momento que, socialmente, adoecemos. A partir de quando nos embrutecemos. Será que nos animalizamos a esse ponto? Se sim, certamente, seremos responsáveis pelo nosso fim.

https://youtu.be/wbxeGGmzI50

Régis Eric Maia Barros