A maiêutica socrática e a paixão política no Brasil

Durante o “Século de Péricles, o mundo grego iniciou um apogeu cultural sem igual. E neste contexto, a filosofia se afirmou como ferramenta de crescimento e de diferenciação frente a tudo. Eis que surgiu Sócrates e mesmo sem ter deixado obras escritas, ele influenciou sobremaneira o pensamento e o conhecimento do mundo. Portanto, ele influenciou o meu e o seu pensar, o meu e o seu conhecer. Não é a toa que ele representou um divisor de águas nesta nova corrente do conhecimento – antes de Sócrates, os “Pré-Socráticos”. O que Sócrates trouxe de especial? Dentre as várias reflexões e…

0 comentário

Uma imagem, uma mensagem

Algumas imagens falam por si só. Algumas imagens são capazes de evidenciar aos homens o que os próprios homens são capazes de fazer. Algumas imagens são eternas e, infelizmente, esta eternidade provém da possibilidade de extrairmos o afeto por detrás da película. Abaixo, temos uma destas imagens. Uma criança síria se entregando, num ato de medo, por ter confundido o cano de uma câmera de filmagem com um cano de um fuzil. Quantos fuzis já foram apontados para ela? Quantas pessoas ela já viu cair ao solo depois de rajadas de fuzis? Quantos fuzis? Quanta maldade? Quanto abandono? Quanta tristeza?…

0 comentário

Canabidiol (CBD), maconha e os paradigmas

Na última quarta-feira (14/01/2015), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) retirou o CBD da lista F2, composta por substâncias psicotrópicas de uso proibido e proscrito, e o incluiu na lista C1, que reúne substâncias prescritas com controle especial. Tal mudança transcende uma simples transição de lista, pois ela representa uma resposta social ao conservadorismo de algumas mentes e de algumas instituições. Pois bem, até poucos meses atrás, algumas instituições se mostravam tão retrógradas e tão conservadoras que o ato de expressar uma opinião “antiproibicionista” gerava um julgamento inquisitório por parte delas. Aquele que, por ventura, se posicionasse a favor…

0 comentário

Existiria alguma Arqué para a corrupção no Brasil?

A quebra do mito demandou dos primeiros filósofos (Pré-Socráticos) a busca de um princípio originário (Arqué ou Arkhé) capaz de explicar o mundo e ordenar em harmonia as coisas (Kósmos). Assim, a lógica e a razão foram prosperando e o pensamento humano se desenvolvendo de modo que o olhar mágico da cegueira sobrenatural foi deixando de dar as cartas. Ao admirar esta quebra de paradigma promovida por tais filósofos, poderíamos, também, filosofar e refletir sobre a corrupção no Brasil. Existiria alguma explicação? Existiria alguma causa? Existiria algum princípio originário? Recentemente, uma parcela da população, de forma democrática, protestou nas ruas…

0 comentário

Knowledge is suffering

  Lembrei-me de um paciente extraordinário que era filósofo e um grande pensador. Infelizmente, ele veio a falecer há 6 meses devido um câncer. Um ser fantástico que, ao discutir inúmeras temáticas comigo, ressaltava: “Cuidado, Régis, pois enxergar causa dor, visto que, você, também, se enxergará”. No fim, ele concluía: “Knowledge is suffering” Tenho saudades dele! Gostaria de conversar com ele neste momento politico do país, pois muitas análises por detrás dos fatos precisam ser realizadas. Contudo, a paixão cegou a todos. Segue a vida!

0 comentário

Haverá segurança com a redução da maioridade penal?

Há um equívoco em confundir impunidade com redução da maioridade penal. O primeiro conceito, de fato, possibilita que os desvios de comportamento não tenham freios estatais e da sociedade. Já o segundo, não levará, pelo menos a meu ver, a uma redução nos índices de criminalidade. Tenho dúvidas, inclusive, se neste nosso sistema penal e social sem alternativas, os índices de violência façam é aumentar. Se não vejamos e pensemos. Alguém que comete um delito qualquer, mesmo não hediondo, e que necessita ser recolhido ao sistema prisional, conseguirá, facilmente, um posto de trabalho ou uma inserção social? Acredito que não,…

0 comentário

A moda do sufixo “fobia”

Que a sociedade brasileira é preconceituosa, nós já sabemos. Que os preconceituosos estão, em todos os espaços, cuspindo seu ódio no objeto do preconceito, nós também sabemos. No entanto, o que ainda não é possível saber é o porquê do modismo insistente em usar o sufixo fobia (phobia) nas palavras que tentam destacar o combate contra determinados preconceitos. Atualmente, encontramos vários neologismos esdrúxulos que tentam se encaixar como marketing na suposta luta contra o preconceito. As campanhas publicitárias apelam para tudo. As imagens, os selfies, os vídeos e os artigos destoam e se afastam do real propósito explicitado nas mídias…

0 comentário

O Fascismo brota nas brechas

Quando Joseph Goebbels (Ministro da Propaganda do Reich) disseminou, competentemente, as idéias nazi-fascistas, ele não o fez nem a debutou com truculência. A maldade apareceria depois, ou seja, a partir do momento em que esse pensar estivesse introjetado em todos os apoiadores. Enquanto esta forma de ver o mundo era introjetada pelos simpatizantes e por aqueles que foram seduzidos, os contrários e opositores eram eliminados de todas as formas possíveis. Aproveitando as brechas sociais e políticas promovidas pelas crises econômicas e institucionais, o modo de pensar fascista vai se embasando. O ódio, o extremismo, a exclusão, a eliminação do diferente…

0 comentário

Quem é e quem não é traficante?

A nova normatização sobre drogas (Lei 11.343/2006) trouxe uma atenuação em relação à pena para o usuário de substâncias psicoativas. Embora uma proteção ao usuário de drogas tenha sido buscada, temos uma grande questão ética e social inserida no arcabouço jurídico dessa lei. Consequentemente, como em outras legislações, interpretações diferentes poderão acontecer sob influência de construções sociais, econômicas e morais. A referida norma usa alguns dos mesmos verbos (adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar, trouxer consigo, semear e cultivar) para definir a caracterização de usuário e traficante. Há uma ressalva sobre o consumo pessoal, porém nem sempre isso é uma…

0 comentário

Eticamente “enCUNHAlados”

Ao ver o carinho e a aproximação de muitos para com o Presidente da Câmara dos Deputados (deputado Eduardo Cunha), lembro-me da música “A Novidade”, que foi cantada por Gilberto Gil e pelo Paralamas do Sucesso. Assim é um dos seus refrões: “A novidade era o máximo. Um paradoxo estendido na areia”. Este trecho permitirá uma reflexão na leitura desse curto artigo. Quanto paradoxo! Em busca de lutar por direitos, transparência e pelo fim da corrupção, muitos estão se ombreando com o deputado Cunha. É isto mesmo! Cidadãos, entidades, instituições, associações, políticos e legendas fotografando e sorrindo em selfies com…

0 comentário