O Fascismo brota nas brechas

Facismo

Quando Joseph Goebbels (Ministro da Propaganda do Reich) disseminou, competentemente, as idéias nazi-fascistas, ele não o fez nem a debutou com truculência. A maldade apareceria depois, ou seja, a partir do momento em que esse pensar estivesse introjetado em todos os apoiadores. Enquanto esta forma de ver o mundo era introjetada pelos simpatizantes e por aqueles que foram seduzidos, os contrários e opositores eram eliminados de todas as formas possíveis.

Aproveitando as brechas sociais e políticas promovidas pelas crises econômicas e institucionais, o modo de pensar fascista vai se embasando. O ódio, o extremismo, a exclusão, a eliminação do diferente e o calar coletivo se tornam a regra. E o pior é que o sistema nazi-fascista sempre apregoa uma espécie de “salvação ufanista”. Com ela, surge um discurso peculiar de proteção à nação bem como de resposta ao suposto clamor popular por mudanças.

Infelizmente, esse pensar nunca se calou e acredito que nunca se calará. Ele fica latente e quiescente. Ele adormece nas calmarias e fica atiçado nas crises. Quando ele volta a acordar, percebemos uma série de movimentos sociais e políticos. Falsos líderes nascem com discursos arquitetados. Alguns messias e salvadores tentam se estabelecer e, para tristeza histórica, alguns deles têm sucesso nesse propósito. Muitas falas inflamadas de valorização da família e da nação se propagam. As verdades são contadas de um jeito que não permite o contraditório e, por influência do clamor e da ira, as mentiras, também, vão se tornando verdades.

A brecha do caos criada pelas crises é o caminho para a concretização do pensar e agir fascista. Sem crises, ele não se dissemina. Sem crises, ele não seduz. Sem crises, ele não será percebido como perigoso e arriscado. Com crises, a raiva legítima, gerada pelos transtornos do caos, é catalisada e misturada aos ímpetos do fascismo. Consequentemente, uma imagem ufanista borbulha como se àqueles que concordam com este pensar fossem mais e muito mais patriotas do que os que não pensam assim. Nessa conjectura, a exclusão e a eliminação do contraditório ganham força.

Infelizmente, nesta cegueira do sistema, muitas pessoas de bem acabam por fomentar o mal. Certamente, uma grande parcela nem notou este movimento, pois a base do funcionamento psicológico era de boa índole – “salvar a nação”. Inoportunamente, os falsos líderes, que crescem nesta lacuna, são, via de regra, aproveitadores e usam do caos em benefício próprio.

É preciso ressaltar que em todos os países onde as idéias fascistas prosperaram a associação entre marketing ufanista + apoio dos descontentes + eliminação dos opositores aconteceu. Valerá tudo para defender o falso projeto ufanista e de “salvação da nação”. Nesta dimensão do tudo, quaisquer posturas, que protejam o referido projeto, serão válidas e validadas. Enfim, poderá ser permitido desde o perseguir até o eliminar, pois o eliminado é “perigoso” e “subversivo” e, por conseguinte, coloca em risco o projeto da pátria. Nós que escolheremos se este pensar continuará quiescente ou se reinará novamente.

 

Régis Eric Maia Barros