A moda do sufixo “fobia”

Fobia

Que a sociedade brasileira é preconceituosa, nós já sabemos. Que os preconceituosos estão, em todos os espaços, cuspindo seu ódio no objeto do preconceito, nós também sabemos. No entanto, o que ainda não é possível saber é o porquê do modismo insistente em usar o sufixo fobia (phobia) nas palavras que tentam destacar o combate contra determinados preconceitos.

Atualmente, encontramos vários neologismos esdrúxulos que tentam se encaixar como marketing na suposta luta contra o preconceito. As campanhas publicitárias apelam para tudo. As imagens, os selfies, os vídeos e os artigos destoam e se afastam do real propósito explicitado nas mídias – o combate ao referido preconceito.

O que, realmente, existe por detrás disto? Embora seja difícil afirmar, parece que visualizamos uma luta publicitária na vendagem de uma marca ou um rótulo. A todo custo, busca-se algo que penetre na cabeça dos desavisados ou daqueles que, por algum motivo, não estão, ainda, abstraindo sobre a amplitude filosófica do preconceito. Algo parecido quando nos lembramos de uma marca de refrigerante. Será que este refrigerante é saboroso? Possivelmente, não! Contudo, não importa, visto que, o penetrar da marca e da idéia na cabeça dos que não se atentam criticamente para os fatos é que importará.

O que enxergamos nestes neologismos criados pela sufixação (fobia) são campanhas de marketing pesadas e agressivas que, por vezes, são jocosas e desconectadas da realidade. Não se discute, nestas campanhas, os reais motivos dos preconceitos nem os seus fatores criadores e mantenedores. Não se analisa, historicamente, como tais preconceitos foram abordados e combatidos. Não se estuda os erros e acertos durante este processo histórico de combates aos estigmas e preconceitos. Na verdade, há, inclusive, uma ressalva psicanalítica sobre as “phobias-campanhas” – será que, de fato, desejam o fim do preconceito? Não é incomum se lucrar com aquilo que supostamente se busca combater. O lucro nem sempre precisa ser financeiro, pois se pode lucrar muito de outras formas. A seca no nordeste brasileiro, a situação calamitosa dos refugiados de guerra e o custo dos insumos básicos nas catástrofes naturais evidenciam como nós, humanos, podemos lucrar muito com o caos. O desejo individual dará as cartas e guiará as condutas. Não sou muito fã de pirotecnias quando o assunto é o combate de mazelas sociais tais como, o preconceito. Por detrás dos fogos de artifícios, geralmente, existem outros interesses bem escondidos e, possivelmente, inalcançáveis.

Infelizmente, o backstage dos reais desejos é fechado ao público geral. No entanto, sua capacidade crítica e de abstração poderá chegar até lá. Para isto, será preciso, somente, refletir e analisar os reais pontos sob a égide da história e da filosofia.

 

Régis Eric Maia Barros