Uma mente na penumbra

Costumo de dizer que toda consulta em psiquiatria é uma avalanche de sensações, percepções, sentimentos e vivências. Hoje, atendi uma paciente muito deprimida. Uma depressão grave e forte. Uma força composta das dores mais dolorosas que se pode ter. Dói na alma! Eis que essa foi a sua queixa principal: “Minha mente está na penumbra“! Simbólico e vivencial! Foi uma consulta longa, mas, mesmo assim, tive a sensação de que eu precisava falar mais. Falar muito mais! Um retorno já acontecerá nesses próximos dias, todavia, ao final da consulta, fiz essa pequena poesia para ela. Mostrarei para ela na próxima…

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Pingos de chuva

Noite fria A chuva batendo no telhado Prelúdio da agonia Ao olhar o mundo Uma aflição Uma clara constatação Estamos doentes! A doença do egoísmo Olhando para nós Vivendo consigo Fechado em ti Armado em mim Esqueces dos demais E viva os liberais Cujo mérito satisfaz Serio a competição? Humano versus humano Quanta satisfação Enfim, sou merecedor Mas, de que? Não houve vitória A chuva aumentou… O desespero chegou A ingratidão atuando O preconceito maltratando A pobreza dilacerando Fome a rodo Morte e morros Mote da crônica de horror Ventos revoltos Janela batendo Uma tempestade de sentimentos A insônia atormentado…

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A insanidade

  Uma mente repartida Fragmentada Aniquilada, pela mentira Agredida Pela realidade, que mente A todo instante Uma dor que se sente No peito e na alma Um desorganizar inconseqüente Pondo à prova Toda a vida Machucando A insanidade é atrevida Neurônios em repressão O Id em confusão A agonia aquecida Tudo atormentado Essência estremecida Perdido e sem sentido Ardendo Aqui, não existe um ego cogito? Intranqüilo é o experimento Descomprometido é o real Vozes e pensamentos Insights em todos os momentos Delirando em busca da paz De uma estabilidade Que satisfaz Aja logo antipsicótico! Haja esperança Pela bonança Dopamina da…

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A SOBERANA VIDA

A minha sobriedade Dentro da intranqüilidade Pela partida no futuro Partimos… A alma em evolução Quando a morte bate na porta O medo ressoa O estalido ecoa Ecos do incerto Que exista uma mão Por perto! Para segurar Eu, inquieto Apertar e não soltar Nos guiando Na guinada da despedida Mas, como não temê-la? Só há uma maneira… Vivendo! Uma vida guerreira Pois, ela é soberana A existência se sobressai A morte teme a vida Dentro de cada um A vida dignifica Dentro de nós Nunca estaremos a sós E a morte? A vida lhe espreme Sem esperar o acontecer…

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Amor como antídoto

  Para a dor O amor… Para a solidão O coração (cheio de amor)… Para a agonia Um beijo da filha (amor em harmonia)… Para a tristeza O sorriso da sua alteza (a companheira)… Para a lágrima O olhar dos seus pequenos… Para a decepção A mãe em devoção… Para o frio O calor dos amigos… Para a penumbra O sol da sua luta… Para o ardor de quem te trai… A segurança do seu pai… Tudo de ruim num veneno O amor (nada pequeno) combatendo… Para a fome O amor dos caridosos… Para a corrupção Justiça e punição (um…

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ETERNAS CRIANÇAS

Crianças, Pureza essencial Nesse mundo doente e desigual Onde a bondade carece E o adulto se esquece Da igualdade e fraternidade A criança responde Com seu sorriso A sua beleza se apresenta Alívio para qualquer tormenta E se o mundo tivesse mais crianças? Melhor! Somente crianças Menos mal Menores maus Relações do bem Sinceros e eternos Seriam os afetos Nada de vetos Sem descriminação Pouco importaria A cor e a etnia A criança ama igual Sem importância seria Gênero e o sexo Nenhuma diferença O adulto olha incrédulo E não aprende Pioramos quando crescemos Perdemos a chama Incandescente Que nos…

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O FUTURO

Dias virão Histórias do cotidiano O que acontecerá? Estórias verdadeiras Verdades falseadas E a cada badalada O relógio mostrará Que a vida acontece Ou deixa de acontecer Depende da nossa escolha O viver e o escolher Ponteiros conjugados Ajuntados ou antípodas Será nosso o ajuste Próximos ou distantes Produtos querelantes De nós… Por nós… Para nós… E o futuro? De que adianta pensar nele Esqueceram-se do dia de hoje O momento tremendo Construir o atual Sem tormento Acertos e erros Não há problemas A vida é esse dilema Errantes e “acertantes” Não há nada sem o presente Presenteia-te Com vitórias…

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O manicômio

Paredes frias Grades esguias Que prendem… Que maltratam… Amargor que se sente Odores dormentes Gritos na noite Terror naquela gente Barulhos no escuro Excrementos no chão Em meio ao vão Do esquecimento Amontoados eles estão Animalizados Uma maldade do “cão” Olhares perdidos Restos de comida Marmitas frias Ratos e baratas se esbaldando Alguém está chorando? Muitos… É de partir o coração “Louco” chora com emoção Nus no pátio Nus no corredor Nus na dignidade Luz Onde estás tu? Ilumine-os Por favor, abrevie essa dor Banhos de sol monstruosos Sem luminosidade Há esperança na humanidade? No manicômio não há Porta do…

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A poesia

  Um ritmo encantador Confrontando toda dor O poeta a orquestrar Uma sinfonia singela Letras estrelares Palavras estaladas nos olhares Daqueles que admiram o poema O dançar métrico que emblema O sonho… Esquecendo os problemas Vogais e consoantes namoradas Enamorando a cada linha O nascimento da esperança Ventre do amor A poesia protege os desventurados Alquimia e magia Mel nos olhos Mente em harmonia Versos em valsa Fazendo os dias mais leves Quem se atreve a duvidar? Ó poeta! Seu trabalho terapêutico Arquiteta em mim A vida, ora repartida Alivia no outro A ferida, ora atrevida Sua sensibilidade permite a…

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Final da tarde de sexta

Cabeça cansada Alma sugada Tudo acumulado Histórias registradas Quando penso em desistir Foco no existir da missão A existência da razão Que me guia Dentro da psiquiatria A mente latejando Chamando pelo descanso Tão merecido! Um desejo adormecido De ajudar Mesmo que esgotado Findam as horas Mas, não acabam O sonho de melhorar Ou melhor! Fazer a melhora chegar O sofrer emocional é infindável Ele não é questionável A mim caberá continuar Até o fim permanecer Muitas sextas hão de acontecer Não as temerei… Régis Eric Maia Barros  

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