Aos alunos do 6º período da medicina UniCeub (2017.2)

Eis que uma nova etapa é finalizada. Nessa semana, terminamos o semestre. Portanto, as férias, tão desejadas, chegaram. De fato, a necessidade de recarregar as baterias é algo bem oportuno. O curso médico gera desgastes surreais. Defendo, inclusive, que tal situação precisa ser revista pela possibilidade de proporcionar vários adoecimentos. Com essa mensagem, venho desejar boas férias. Foi um prazer e uma honra conviver esse semestre com vocês, futuros colegas. A jornada, durante a graduação em medicina, é árdua, mas também apaixonante. Ficam muitos aprendizados e inúmeras saudades. A nostalgia sempre estará presente nesse caminhar da profissão médica. Mesmo na…

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Ele é preto…

O principal conteúdo desse artigo, que escrevo agora, já se tornou redundante nas minhas escritas, porém, infelizmente, por tudo que surge, é necessário refletir novamente sobre o tema. Costumo dizer que os tempos atuais são árduos, pois, em meio a tanta maldade, fica difícil extrair esperança. Quando estamos defronte da TV, nós assistimos pessoas midiáticas falando coisas que são capazes de nos fazer olhar para o futuro com certo receio e medo. Daí, escutamos que “não estupro você, por que você não merece”. Em pleno século 21, somos, também, surpreendidos com a sonora fala de que “ser gay é produto…

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A felicidade está no simples

Na minha prática de trabalho como psiquiatra, eu atendo adultos que sofrem e que choram. Na verdade, quando estou diante de adultos, que padecem de sofrimento emocional, eu vejo e escuto de tudo. Todo o processo de adoecer finda em angústia e dor. O que me chama mais a atenção é o fato de, geralmente, a gênese dos sintomas terem, como mola propulsora, questões com outros adultos. Diante disso, defendo uma tese de que as relações adultas podem nos expor ao sofrimento. De fato, ao conversar com as crianças ou quando percebemos suas relações, não encontramos alguns sentimentos e comportamentos,…

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Eu não temo a dor

Sorrateira e gananciosa Ela chega Invasão chantagiosa Cretina que machuca Colocando-se diante de mim Por todos os dias Dentro da minha labuta Ser psiquiatra é isso Olho para ti sem te temer E por mais que me faça tremer Busco forças para te combater Sabe o motivo? Sabe o porquê? Claro que sim Em face de você A lágrima corre na face deles Devido a ti Eles se esquecem de sorrir Ansiedade e depressão Psicose na contramão O medo da solidão O fantasma do suicídio Você atua nisso O que tu pensa que és? Olho nos seus olhos Encaro-te até…

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Pelo moralismo

Quantas perversidades foram feitas pela busca da moral? Quantas crueldades foram construídas, ao longo da história, para purgar o que era considerado errado? As teses reacionárias se sustentam nisso, ou seja, um discurso de forte “moral” que se apega ao fake de construções moralistas puras. Portanto, os reacionários “moralistas” definem o que não é límpido e certo e, a partir de então, perseguem e eliminam. Na verdade, a roupagem do bom é usada plenamente para o mal. O discurso moral reacionário é adjetivado, logo ele não permite sequer a possibilidade do pensar diferente. Pelo contrário, a diferença é lida como…

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Quando fecho os olhos

Quando fecho os olhos, eu vejo casais apaixonados que se beijam. Vejo também crianças correndo atrás de uma bola. Elas correm de forma despreocupada e as suas gargalhadas entram pelos meus ouvidos. Quando fecho os olhos, eu percebo caridade, alteridade, justiça e altruísmo. Vejo um mundo fraternal. Vejo pessoas desprovidas de preconceito. Sinto que ninguém julga o outro pela sua cor, identidade de gênero, sexualidade, situação social e perspectiva política. Quando fecho os olhos, eu enxergo o amor. Um amor tão gostoso que faz meus olhos se mexerem, mesmo que eles estejam fechados. Quando fecho os olhos, sinto o cheiro…

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E a felicidade?

No fundo mesmo, todos nós queremos ser felizes. Buscamos isso de forma incessante. Alguns caminham melhor nesse propósito. Outros dão cabeçadas repetidas e, mesmo que queiram a felicidade, acabam por se afastar dela. Seria tão bom se soubéssemos o CEP da felicidade, pois, num passe de mágica e de maneira mais veloz do que um SEDEX 10, apertaríamos a sua campainha. Ah, como seria mais fácil! No entanto, a verdade é outra. A felicidade não brota do jardim. Ela não cai na nossa cabeça junto com as gotas da chuva. Ela não vem de graça. Há de se buscá-la. Precisamos…

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Mudanças na Saúde Mental do Brasil

Propostas de mudança da assistência à saúde mental surgiram, recentemente, no cenário nacional. O Ministério da Saúde, a partir da sua Coordenação de Saúde Mental, vem propondo mudanças estruturantes em relação à política anterior. Dentre alguns pontos sugeridos, merece destaque a defesa explícita de fortalecimento do financiamento aos hospitais psiquiátricos com possibilidade de ampliação/redirecionamento dos seus leitos além de uma inclusão das Comunidades Terapêuticas na rede assistencial. Acredito e defendo que todas as políticas públicas precisam ser revistas e modernizadas. A cultura e a sociedade demandam disso. Portanto, precisamos sempre buscar indicadores de impacto para avaliar e validar as políticas…

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Lembranças de natal

Por incrível que pareça, o meu consultório, no final do ano, sempre está lotado e, em alguns dias, ainda preciso encaixar pacientes em horários extras. Entendo que dois fatores possam influenciar esse fenômeno: o primeiro seria o fato de outros colegas psiquiatras estarem viajando e o segundo seria a intensidade desse período de festas. Ao final do ano, nas festas natalinas, muitos tendem a reavaliar a própria vida e suas atitudes. É um período fértil para reflexões e demandas existenciais. Portanto, em face disso, é um período árduo de trabalho. Pelo menos para mim que costumo trabalhar nessa época. Mesmo…

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Quem realmente fortalece a “antipsiquiatria ”?

As relações entre os profissionais da saúde mental, desde as mudanças que ocorreram com a Reforma Psiquiátrica, em alguns momentos, não foram as melhores. Dentro dessas fragmentações, ganhou espaço, sobretudo nos últimos anos, a tese de que existiu um grande movimento nacional contra os psiquiatras. Esse movimento, como descrito por alguns, perseguiria e culpabilizaria os psiquiatras pelos equívocos históricos acontecidos na saúde mental. Por ser um psiquiatra jovem, restou-me estudar sobre o assunto e, por interesses pessoais, assim, eu caminhei. Foram muitas pesquisas, leituras, escritas, análises e produções. A partir de então, construí minhas dissertações e teses sobre o assunto.…

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