Pelo moralismo

Reacionários

Quantas perversidades foram feitas pela busca da moral? Quantas crueldades foram construídas, ao longo da história, para purgar o que era considerado errado? As teses reacionárias se sustentam nisso, ou seja, um discurso de forte “moral” que se apega ao fake de construções moralistas puras. Portanto, os reacionários “moralistas” definem o que não é límpido e certo e, a partir de então, perseguem e eliminam. Na verdade, a roupagem do bom é usada plenamente para o mal.

O discurso moral reacionário é adjetivado, logo ele não permite sequer a possibilidade do pensar diferente. Pelo contrário, a diferença é lida como um ataque aos bons costumes e a ordem do suposto correto. Então, resta ao reacionário atuar como a rainha má de Alice no País das Maravilhas. Para tal, é só mandar: “cortem a cabeça”.

Em todas as catástrofes da humanidade, a moral foi desvirtuada na sua concepção para um objetivo próprio. A inquisição, a escravidão, o holocausto e o preconceito têm no seu cerne um forte aparato moral. Claro que uma “moral” tendenciosa, mas, sem dúvidas, de forma reacionária, ela é capaz de passar por cima, como rolo compressor, e destruir sem pena e piedade. E se o poder tiver atrelado a essa moral, teremos um gigantismo de perversidade tais quais aos fatos históricos citados acima.

Esse padrão de funcionar se mantém quiescente e, de forma cíclica, retorna com força na sociedade. O momento atual do Brasil é um prova cabal disso. Desse modo, passa a ser comum ver atos agressivos e desvirtuados cujas posturas são repletas dessa moral que apelidei de reacionária. Museus atacados, exposições de arte questionadas, liberdades retiradas, desejos reprimidos e artistas atacados. Um cenário apocalíptico. Um futuro nebuloso. Um silêncio ensurdecedor.

Para o crescimento desse moralismo mentiroso, usam-se palavras potentes numa tentativa de sensualizar pecaminizando tudo. Conseqüentemente, a “pedofilia”, o “perigoso” e o “sexual” é visto em várias coisas. Contudo, o que temos mesmo é uma projeção perceptiva disso. Aquele que ver nojenteza em tudo pode tentar esconder, até de si mesmo, o quanto ele tem de coisas nojentas. Quem tem uma verborragia de moralismo extrema sempre esconde comportamentos questionáveis.

O momento, infelizmente, é esse. Mesmo sendo impossível criar, nos dias de hoje, fogueiras para bruxas, algemas para escravos e câmara de gás para judeus, entendo que esse moralismo reacionário continua muito perigoso e capaz de agredir e de matar.

Régis Eric Maia Barros