Lembranças de natal

Stabilis Psiquiatria

Por incrível que pareça, o meu consultório, no final do ano, sempre está lotado e, em alguns dias, ainda preciso encaixar pacientes em horários extras. Entendo que dois fatores possam influenciar esse fenômeno: o primeiro seria o fato de outros colegas psiquiatras estarem viajando e o segundo seria a intensidade desse período de festas. Ao final do ano, nas festas natalinas, muitos tendem a reavaliar a própria vida e suas atitudes. É um período fértil para reflexões e demandas existenciais. Portanto, em face disso, é um período árduo de trabalho. Pelo menos para mim que costumo trabalhar nessa época. Mesmo com essa maior carga emocional e física, eu adoro esse período, pois sou presenteado aos montes. No entanto, permita-me explicar que presentes são esses. Não falo dos presentes concretos e materiais. Refiro-me aos presentes simbólicos do afeto. De fato, recebo vinhos, panetones, chocolates e roupas. Mas, a beleza não está no produto que recebi. Invariavelmente, todos que me presenteiam fazem o seguinte pedido à minha secretária: “trouxe uma lembrança para ele, porém preciso entregá-lo pessoalmente”. O consultório pode estar lotado e, mesmo assim, ele/ela espera para me entregar, em mãos, a sua lembrança. O ato da entrega, por mais que seja diferente, tem particularidades em comum. Primeiramente, todos falam que “é só uma lembrança para não passar em branco”. Depois, cada um me agradece olhando nos meus olhos. Eles falam palavras belas de gratidão as quais são recheadas de um carinho tão sincero que nem sei como descrever ou retribuir. Ao final, todos fazem questão de me abraçar ou me beijar. Ao pé da orelha, escuto alguns “obrigados” de uma beleza surreal. Antes de sair, eles falam “eu não vou tomar mais seu tempo, porque a sala de espera está lotada”. Na verdade, eles não perceberam, ainda, que esses atos não tomam o meu tempo, mas sim o permite ser mais humano e repleto de amor. Quem sabe, enquanto psiquiatra, esse seja o presente subliminar do Papai Noel, ou seja, o belo carinho da gratidão.

Um feliz Natal e um belo 2018!

São meus votos a todos que leram esse relato e, especialmente, aos meus pacientes que confiam em mim e que confiam a mim suas histórias e verdades.

Régis Eric Maia Barros