Eu não temo a dor

dor

Sorrateira e gananciosa
Ela chega
Invasão chantagiosa
Cretina que machuca
Colocando-se diante de mim
Por todos os dias
Dentro da minha labuta
Ser psiquiatra é isso
Olho para ti sem te temer
E por mais que me faça tremer
Busco forças para te combater
Sabe o motivo?
Sabe o porquê?
Claro que sim
Em face de você
A lágrima corre na face deles
Devido a ti
Eles se esquecem de sorrir
Ansiedade e depressão
Psicose na contramão
O medo da solidão
O fantasma do suicídio
Você atua nisso
O que tu pensa que és?
Olho nos seus olhos
Encaro-te até nos meus sonhos
Fecho minha guarda
Buscarei apagar a sua gargalhada
De uma hipocrisia impregnada
Infestando o viver deles, meus pacientes
Sei que não sou onipotente
Mas, perseverarei
Nessa busca de ser competente
No afã de te mostrar que aqui não
Não é bem vinda
Sairás daqui
Seu amargor há de fugir
Pois, por eles, lutarei
Ao final, mesmo exausto, continuarei
Você, dor
Não desiste de invadir
Saiba que eu também não
Manter-me- ei aqui
Diante de ti
A luta continuará…

Régis Eric Maia Barros