Ele é preto…

eu não sou o seu negro

O principal conteúdo desse artigo, que escrevo agora, já se tornou redundante nas minhas escritas, porém, infelizmente, por tudo que surge, é necessário refletir novamente sobre o tema. Costumo dizer que os tempos atuais são árduos, pois, em meio a tanta maldade, fica difícil extrair esperança.

Quando estamos defronte da TV, nós assistimos pessoas midiáticas falando coisas que são capazes de nos fazer olhar para o futuro com certo receio e medo. Daí, escutamos que “não estupro você, por que você não merece”. Em pleno século 21, somos, também, surpreendidos com a sonora fala de que “ser gay é produto de doença”. E, há poucos dias, um repórter famoso se refere, criticamente, a alguém com o seguinte dizer: “Preto, né? É coisa de preto com certeza”.

A doença social do momento é algo difícil de mensurar. Se pessoas públicas são capazes de destilar esse ódio na frente das câmeras, imaginem o que está acontecendo nos guetos da vida. Reflitamos sobre as mulheres, vítimas de violência sexual. Analisemos os gays, vítimas das mais diversas agressões. Percebamos os “pretos”, vítimas históricas do preconceito o qual foi promotor da falta de igualdade social. Então, imaginem o que cada um deles sofreu e continua sofrendo. Mesmo assim, há quem ataque, maltrate e desdém deles.

Qual seria o problema em ser negro ou “preto”, conforme alcunha preconceituosa do repórter? Qual a fundamentação que ele usou para estratificar os “pretos” num patamar inferior ao dos brancos? A resposta é simples: o preconceito. Ele, ao usar do preconceito, acaba por excluir numa tentativa, pelo menos simbólica, de eliminar. Nos dias de hoje, por incrível que pareça, ainda é comum exterminar o diferente. Portanto, eliminam-se as diferenças de cor, credo, etnia e ideologia. Se não conseguimos conviver com todos, criamos uma inviabilização para a vida da nossa espécie nesse mundo. Conforme se extrai dos mais diversos campos do saber humano, não é possível viver em castas isoladas ou únicas. Independente disso, a especiação e a busca de características arianas nasce com um propósito de definir o que é o melhor e o mais puro. Quanta maldade! Quanta perversão!

Para o repórter do “ele é preto” e, também, para quem compactuar dessa cretinice preconceituosa, eu sugiro que se assista ao documentário “I am not your negro”. Nele, seremos capazes de entender os fatos e o que muitos brancos, fizeram e continuam fazendo com os chamados “pretos”.

Régis Eric Maia Barros