Perícia Psiquiátrica

Prezados, Eu gostaria de compartilhar uma conclusão pericial que realizei recentemente. Trata-se de uma conclusão por que não dizer filosófica. Diante de uma ação de consentimento de suprimento para casamento de pessoa maior parcialmente incapaz, eu tive que concluir e, assim, eu fiz. Na conclusão abaixo não cito nomes ou outros comemorativos capazes de identificar as partes Por ser algo, pericialmente, diferente, gostaria de compartilhar essa conclusão com todos vocês Excelentíssimo MM. Juiz e I. Representante do Ministério Público, A solicitação pericial demandada a mim (psiquiatra e perito nomeado nos autos) pediria, a priori, uma reflexão objetiva e uma conclusão…

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Qual o humano melhor: o “selvagem” ou o “atual”?

Muitos escreveram sobre o estado de natureza do homem, ou seja, aquele ser “selvagem” que não tinha uma vida em sociedade como a que nós temos nos dias de hoje. Esse homem, em estado de natureza e desprovido de propriedades privadas, paixões e disputas, fascinava pela perspectiva de ter bondade in natura. Para Rousseau, o estado de natureza apresentava, em si, a bondade e nele poderíamos encontrar a piedade que antecedia ao próprio aprendizado do dever ser piedoso. Essa piedade do homem “selvagem” mostrava a sua capacidade de perceber e se identificar com a dor do seu semelhante. Mesmo sem…

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Que a vida tenha…

Que a vida tenha… Mais vida… Beijos dos filhos… Carinhos da esposa… Amor… Calor… Um viver encantador… Clamor do coração… Encontros consigo… Apegos contigo… Paz em espírito… Essência… Caridade e clemência… Humanismo e decência… Afagos… Abraços… Sonhos… Desejos, tamanhos… Enquanto eu respirar… Uma vida para se apaixonar… Um cantarolar… Dos pássaros… Do meu bebê… Apontando para a lua… Que se mostra nua… Repleta de pureza… Há uma única certeza… Como é bom viver! Aproveitando esta grandeza… Pulsante… Inebriante… Ébrios de possibilidades… Marcante… Marcado em mim… No meu DNA… Na minha psique… Aconteça o que acontecer… Amizades… Amigos de fato… Sempre…

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Que minha vida tenha!

  Mais vida Para suportar Cada dor doída Capaz de deixar feridas Nessa história repartida Ora alegre Ora atrevida Que haja solos de guitarra Chamando-me a bailar Permitindo molecar Sem medo de me machucar Que ocorram aventuras Desbravando a ternura Do viver em felicidade Combatendo a amargura Indesejada intranqüilidade Que tenha multiplicações De beijos dos filhos Do carinho da amada Cantarolar da passarada Horizonte atraente Nascente envolvente Poente incandescente Eu e você Uma história inconseqüente Que aconteçam sonhos Alcançados Desejados Equivocados Sobrepujados Mas que aconteçam… Que a vida assista Meu partir de forma fixa Com a certeza que valeu Cada…

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Refugiados

Ó Europa! Apelidada de Velho Continente O berço do saber Nascituro do conhecer Política, ciência e filosofia Brotaram de ti Liberdades e direitos Essências em si Foi você que mostrou Daí, partiram naus Missões colonizadoras Amedrontadoras Avassaladoras África, Américas e Ásia Sentiram sua gana Histórica exploração Expropriando cada nação Diante disso, pergunto-te Para que serviu seu conhecer? O domínio para embrutecer Criar exclusões Excludentes do viver Assim, foi… O mais triste é que continua sendo Fronteiras fechadas Polícia armada Guarda Costeira atiçada Marinha montada Proteção de guerra arquitetada Seriam bandidos? Uma proteção contra inimigos Não! São refugiados Aniquilados Pela guerra…

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Uma paz “filosófica”

A minha mente é revolta. Ela possui uma inquietude pleonasticamente inquieta. As idéias brotam e as construções nascem. Portanto, as minhas opiniões são manifestas. Como qualquer designar das existências particulares, o meu pensar, às vezes, é bom, mas, em outros momentos, talvez não seja. Sem problemas! Quero continuar de forma respeitosa a opinar. Isso me dá paz. Isso me oferta bússola. Se assim caminhar até os últimos dias, certamente, eu não me sentirei perdido ou a deriva. Por isso, eu me alimento da filosofia. Já li inúmeros compêndios médicos e psiquiátricos. Muitos deles fascinantes e interessantes. Contudo, eu preciso confessar…

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Uma saudade

Saudade inquieta Saudade que aperta Machucando Sem trégua De ares agressivos Com posturas ardilosas Assim, ela é Saudade que alfineta Saudade que destrói Um grande cometa Que corrói O coração de quem sente Impotente, ficamos Quando ela nos flerta Explode a angústia Sem hora certa Sonhos repartidos Ausência repleta De significados… De incertezas… De indelicadezas… Uma saudade Desorganizadora Cujo clamor entoa No nosso sentir O que não está presente Fica na lembrança Mantê-la viva Uma saída? Uma racionalização? Saudades em mim Saudades em ti Sentiremos Em algum momento Viveremos Só quem sentiu uma saudade Compreende Algo presente Eternamente Régis Eric…

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A insanidade

  Uma mente repartida Fragmentada Aniquilada, pela mentira Agredida Pela realidade, que mente A todo instante Uma dor que se sente No peito e na alma Um desorganizar inconseqüente Pondo à prova Toda a vida Machucando A insanidade é atrevida Neurônios em repressão O Id em confusão A agonia aquecida Tudo atormentado Essência estremecida Perdido e sem sentido Ardendo Aqui, não existe um ego cogito? Intranqüilo é o experimento Descomprometido é o real Vozes e pensamentos Insights em todos os momentos Delirando em busca da paz De uma estabilidade Que satisfaz Aja logo antipsicótico! Haja esperança Pela bonança Dopamina da…

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A vida não é um concurso de beleza

Se eu pudesse sugerir, eu diria a todos que a vida deve ser vivida e desfrutada. Não se vive para mostrar conquistas ou para se perder na busca delas. Não se passa uma existência para, ao final da jornada, olhar para si e dizer que tenho muitas coisas. Se você só fez isso, certamente, você deve ter construído muita “grana”, porém isto não é sinônimo de ter vivido plenamente. O viver não pode ser colocado numa vitrine ou num pedestal, visto que, a vida é o resultado do ato de saborear sua essência de modo que ela permaneça estampada na…

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Eu estou na contramão…

De fato, eu estou no sentido oposto ao que a coletividade atual define como o “certo” e o “melhor”. Assim, eu estou me vendo. No entanto, apesar disso, sinto-me leve, pois prefiro, infinitamente, esse sentido que escolhi. Tenho um olhar filosófico de respeito às liberdades e, portanto, de limitação das violências. Alguns poderiam me repreender dizendo que a liberdade em excesso pode promover a violência. Talvez, sim! Mas, prefiro essa liberdade a conviver com essa violência estabelecida pela rigidez, controle e domínio. Depois de uma longa história repressiva e de ataque às liberdades, eu, lamentavelmente, venho percebendo que a sociedade…

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