Eu estou na contramão…

Régis gravura Régis Preto e branco

De fato, eu estou no sentido oposto ao que a coletividade atual define como o “certo” e o “melhor”. Assim, eu estou me vendo. No entanto, apesar disso, sinto-me leve, pois prefiro, infinitamente, esse sentido que escolhi. Tenho um olhar filosófico de respeito às liberdades e, portanto, de limitação das violências. Alguns poderiam me repreender dizendo que a liberdade em excesso pode promover a violência. Talvez, sim! Mas, prefiro essa liberdade a conviver com essa violência estabelecida pela rigidez, controle e domínio. Depois de uma longa história repressiva e de ataque às liberdades, eu, lamentavelmente, venho percebendo que a sociedade brasileira caminha, cada vez mais, para o conservadorismo. Não é à toa que o Congresso Nacional evidencia isso. Ele é o termômetro dessa constatação. Portanto, os discursos preconceituosos e que alimentam o ódio se repetem nas tribunas do parlamento. Conseqüentemente, projetos de leis bizarros e propostas retrógradas vindas de comissões parlamentares acabam sendo regra. Posso ser, até, um ultrapassado ou um sonhador, como alguns me apelidaram, porém eu defendo uma sociedade igualitária e justa. Eu quero uma sociedade onde se possa ser heterossexual, homossexual, bissexual, transexual e “etc e tal”. Ser qualquer “ser” sem que isso seja impeditivo à felicidade. Eu espero uma sociedade que não inventem leis que proponham falsas “curas”. Na verdade, os inventores dessas leis não aceitam o outro e inventam de usar, eufemisticamente, o termo “curar” para esconder o seu próprio preconceito. Logo, a chamada “cura gay” é uma expressão de eugenia e de especiação. Eu sonho em viver numa sociedade que não pense que para se proteger de bandidos é necessário se armar como bandidos, ou seja, eu postulo uma sociedade sem Leis de Talião. Eu quero uma sociedade com universidades cheias de pessoas humildes, pois, assim eu era e, sendo uma exceção, eu fui ao cursar medicina na Universidade Federal do Ceará. Não quero que existam, somente, exceções exemplificadas pelo meu exemplo. Eu quero que elas sejam regra. Eu busco uma sociedade sem a falsa idéia de que todos “são iguais”, visto que, para que aconteça a igualdade, as mesmas condições devem ser ofertadas. Desse modo, um morador de uma periferia pobre de São Paulo não teve as mesmas condições ofertadas ao um morador de Higienópolis. Essa diferença se deu, somente, por mérito? Pensar que todos são iguais, sem fazer a leitura histórica e social, é uma forma autocentrada de promover o status quo. Uma grande parcela da sociedade atual passou a enxergar assim, ou seja, todos são “iguais”, as mulheres que são “feministas”, a segurança está em se “armar’, o modelo de família é “homem e mulher”, o grupo LGBT está criando uma ditadura com heterofobia e “gayzismo”, como falou um nobre deputado. Se a sociedade atual passou a enxergar dessa forma e sob essas lentes, eu quero deixar público para todos (meus simpatizantes ou não, meus admiradores ou não, meus defensores ou não) – eu não vejo assim. Eu não sou assim. Eu vejo o mundo de outra forma. Por isso, devo estar na contramão…

 

Régis Eric Maia Barros