A vida não é um concurso de beleza

Viver a vida

Se eu pudesse sugerir, eu diria a todos que a vida deve ser vivida e desfrutada. Não se vive para mostrar conquistas ou para se perder na busca delas. Não se passa uma existência para, ao final da jornada, olhar para si e dizer que tenho muitas coisas. Se você só fez isso, certamente, você deve ter construído muita “grana”, porém isto não é sinônimo de ter vivido plenamente. O viver não pode ser colocado numa vitrine ou num pedestal, visto que, a vida é o resultado do ato de saborear sua essência de modo que ela permaneça estampada na memória e nos afetos. A vida não está na conta bancária ou no número de apartamentos. A vida estará na forma como você encarou o seu existir. Contabilizá-la é quase impossível, todavia pergunte a si mesmo alguns quesitos simples, por exemplo: Quantas vezes eu dancei? Quantas vezes eu beijei? Quantas vezes eu sonhei? Quantas vezes eu amei e me senti amado? Quantas vezes eu gargalhei livremente? Quantas vezes eu fui sincero e caridoso? Quantas vezes eu doei, qualquer doação seja ela material ou sentimental? Talvez, por aqui, saberemos, por cima, como foi sua vida. Há pessoas que vivem para se enfeitar comparativamente. Desse modo, nesses seres a vida é interpretada como uma necessidade de impressionar aos outros. Nesse mundo superficial, isso está, infelizmente, virando regra. Portanto, é lamentável ver muitas pessoas com idade avançada acreditando que passou pela vida sem viver. Lastimavelmente, por vezes, elas têm razão. Elas estiveram nesse plano por décadas e quase nada foi, de fato, construído em termos de vida. O que tiveram, então? O que aconteceu na jornada deles? Simplesmente, eles viveram de forma fisiológica por não compreender a essência do viver. Como não há críticas e ensinamentos permanentes sobre esse modo de existir, as pessoas vão caminhando movidas pelo piloto automático. Nós nos prendemos ao modelo das regras e das funções sociais. Então, nós trabalhamos, comemos, transamos e dormimos para trabalhar de novo no outro dia e seguir a mesma seqüência. Somos máquinas em série e, nessa produção em escala, esquecemos de viver. Alguns se prendem na fé. Não tenho nada contra e até admiro e sou devoto dessa atitude. No entanto, por que esperar outra vida ou a “morada de Deus” para ser feliz? Seja feliz agora! Seja feliz nessa vida! Ainda tem tempo caso você deseje, realmente, ser feliz. Quem sabe você entenderá que dinheiro e patrimônio, por si só, não vincula vida a sua vida. Enfim, perceba que você não está num concurso de beleza…

 

Régis Eric Maia Barros