Uma paz “filosófica”

A paz filosófica

A minha mente é revolta. Ela possui uma inquietude pleonasticamente inquieta. As idéias brotam e as construções nascem. Portanto, as minhas opiniões são manifestas. Como qualquer designar das existências particulares, o meu pensar, às vezes, é bom, mas, em outros momentos, talvez não seja. Sem problemas! Quero continuar de forma respeitosa a opinar. Isso me dá paz. Isso me oferta bússola. Se assim caminhar até os últimos dias, certamente, eu não me sentirei perdido ou a deriva.

Por isso, eu me alimento da filosofia. Já li inúmeros compêndios médicos e psiquiátricos. Muitos deles fascinantes e interessantes. Contudo, eu preciso confessar que nenhum deles foi capaz de me aliviar como a filosofia está fazendo. Nenhum deles foi capaz de gerar respostas sobre o mundo e sobre mim mesmo como a filosofia está permitindo. Portanto, afirmo que passo a viver e tento buscar, cada vez mais, uma “paz filosófica”. Mesmo desejada com furor por muitos, é possível que a paz seja um das palavras com mais dificuldades de definição. Agora, imaginem falar de “paz filosófica”. Pois bem, eu a tenho. As leituras filosóficas, suas interpretações e suas aplicabilidades no meu viver permitem isso, ou seja, ter uma paz interna e externa mais plena. De forma livre, eu vou exercendo isto. Não me enquadro e não me enquadrarei nos padrões e concepções massificadoras da sociedade. Afasto de mim quaisquer lembranças do calvinismo religioso ou social. Sou avesso à doutrinação. Enfim, eu tenho vontade própria e possuo tendências a desobediência. No entanto, sem agredir o opinar e o pensar alheio, mas sem abrir mão do meu próprio pensar e opinar, visto que, assim, eu existo em essência. Limitar a nossa liberdade significará aviltar nosso crescimento. Conseqüentemente, a vida funcionará como um roteiro rígido e desprovido da própria razão do existir. Cito, aqui, o utilitarista e filósofo moderno Stuart Mill. Na sua busca utilitarista da felicidade, ele trabalhava a liberdade e a individualidade como preceitos fundamentais. É importante não confundir individualidade com egoísmo, pois, pelo contrário, a busca almejada era de um bem maior para todos, todavia sem abdicar das escolhas individuais. Nessa minha tentativa de caminhar durante o meu existir, eu, então, vou opinando e respeitando as outras opiniões por mais que eu discorde delas. Respeitá-las, sem perder minha essência individual. Desse modo, vou tendo minha paz e concordando de forma ampla com a seguinte citação de Mill:

“Que a humanidade não seja infalível; que suas verdades, em sua maioria, sejam apenas meias-verdades; que não é desejável a unidade de opinião, salvo quando resultante da mais completa e livre competição entre opiniões opostas; e que a diversidade não representa um mal, mas um bem, até os homens serem mais capazes do que hoje de reconhecer todos os lados de uma questão […]. Assim como é útil que existam diferentes opiniões enquanto a humanidade for imperfeita, também o é que existam diferentes experimentos de vivência; que se confiram às variedades de caráter livres esferas de ação […]”.

Eu sou livre e busco a felicidade. Essa “paz filosófica” está me permitindo isso. Espero continuar por aí, pois, nessa toada, terei uma jornada boa. Não sei responder se totalmente em paz, porém com uma paz digna de nota.

Régis Eric Maia Barros