A última perícia de interdição da semana

Hoje, sexta feira, ao final do meu último laudo pericial, eu refleti sobre a necessidade, pelo menos para mim, de escrever este relato. Portanto, aí vai. Ser psiquiatra e perito não é uma tarefa fácil. O que mais machuca nesta ocupação é ter que olhar para alguém e concluir que ele é incapaz. Este mesmo alguém que, muitas vezes em outrora, era repleto de vivacidade, sonhos e possibilidades. Este mesmo alguém que, muitas vezes em outrora, trabalhava arduamente e amava intensamente. Este mesmo alguém que, muitas vezes em outrora, era um alicerce para seus pares e familiares. Agora, ele não…

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Cidade Estrutural x Plano Piloto

Alguns apelidam o conteúdo que escreverei a seguir como sendo retórica de um discurso de esquerda e/ou socialista. Eu, sinceramente, não vejo assim. O que eu busco com essa reflexão é fazer uma análise lógica e sensível das respostas do mundo às demandas próprias do mesmo mundo. Enfim, temos ações e reações constantes e não paramos para analisar essas dualidades. Atuando como perito do Serviço de Perícias Judiciais (SERPEJ/SEPSI/TJDFT), fiz, nessa última semana, duas perícias domiciliares no Distrito Federal. Em ambos os casos, a perícia domiciliar estava indicada, visto que, as patologias dos periciandos impediam o deslocamento à unidade pericial.…

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Como reconheço uma pessoa boa?

Hoje, um paciente, por saber que eu escrevo diversos textos/artigos, pediu-me para escrever, brevemente, algo que respondesse ao seguinte questionamento: “como reconheço uma pessoa boa”? Pensei e, assim, escrevi. Compartilho aqui: “É mais difícil encontrar do que reconhecer uma pessoa de fato boa. Mas caso você a encontre, compreenda que essa pessoa é boa não pelo desejo de ser bom, mas pela virtuosidade espontânea de gerar bondade. A pessoa boa não precisa se mostrar como um ser bom, visto que, ele já é. Isto é autóctone e inato. Se é natural, a bondade surge em encadeamentos e como consequência do…

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O preconceito é aprendido

O meu amado Leozinho escutou por aí a palavra preconceito. Ele me perguntou o que significava. Então, tentei explicá-lo ludicamente respeitando sua idade de 4 anos. Fiz uma analogia mostrando que ele não é preconceituoso e que as crianças não são. Pois, ele e as crianças aceitam o “diferente” e convivem com o “diferente” sem acreditar que a diferença destrua valores ou identidades. Enfim, brinquei dizendo que ele gosta da Valentina, do Paulo Vitor, do Joaquim, do Cassiano e dos outros coleguinhas da escolinha por, simplesmente, gostar deles. Aprendemos a ser preconceituosos. Isto penetra na nossa formação pessoal. Isso é…

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Por que eu escrevo?

Hoje, por whatsapp, fui questionado sobre a minha produção incessante no ato de escrever. Ou seja, perguntaram-me: “por que você escreve tanto?” Respondo: Eu escrevo, porque escrever permite-me entender – uma busca do meu entendimento e do mundo. Eu escrevo para mim, pois, assim, dou significados às incertezas e dúvidas. O produto poderá ser usado por quem me ler, caso encontre reverberação emocional nos meus conteúdos escritos. Eu escrevo, porque, ao escrever, sinto-me vivo, vivaz e com vivacidade para construir coisas boas nesse mundo, ora penoso. Eu escrevo para materializar meus sentimentos. Tudo que está nos meus escritos transborda afetos.…

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Significâncias da vida

Depois de uma árdua e desgastante jornada no dia de hoje, reflito e concluo que a vida só tem sentido devido às pessoas que escolhemos conviver, ou melhor, nos envolver. Trombamos em várias, damos bom dia para inúmeras delas, recebemos tapinhas nas costas de mais algumas e interagimos com diversas outras. Contudo, você escolhe, seletivamente, aqueles com quem você vai se envolver. Aqueles em que você vai confiar. Aqueles em que você vai dividir. Aqueles em que você vai escutar. Aqueles em que vale à pena investir. São esses poucos que darão significância às nossas vidas. São esses poucos que…

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Significâncias da vida

Depois de uma árdua e desgastante jornada no dia de hoje, reflito e concluo que a vida só tem sentido devido às pessoas que escolhemos conviver, ou melhor, nos envolver. Trombamos em várias, damos bom dia para inúmeras delas, recebemos tapinhas nas costas de mais algumas e interagimos com diversas outras. Contudo, você escolhe, seletivamente, aqueles com quem você vai se envolver. Aqueles em que você vai confiar. Aqueles em que você vai dividir. Aqueles em que você vai escutar. Aqueles em que vale à pena investir. São esses poucos que darão significância às nossas vidas. São esses poucos que…

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A cada dia – “mais” vida ou “menos” vida?

O tempo urge. Os dias, meses e anos, literalmente, voam durante a nossa existência. Nesse dinamismo, não é incomum haver uma angústia existencial sobre o quanto nos restará de vida. Realmente, a partida é algo que incomoda. Até os mais religiosos e praticantes da fé não encaram a finitude de forma tão leve. Sobre essa análise, usa-se, frequentemente, o caminho da negação. Portanto, não se envolver com o questionamento do tempo de vida que nos resta é um artifício efetivo para não promover a angústia. Ao filosofar sobre esse contexto, fiz a seguinte reflexão: “a cada dia que termina, nós…

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A solubilidade do ser humano

A regra geral de solubilidade nos faz lembrar a expressão: “o semelhante dissolve o semelhante”. Esse princípio, mesmo representando um postulado químico, está introjetada no cotidiano do nosso pensar. Então, podemos ampliar tal reflexão para além das análises químicas. Se pararmos para refletir, poderemos modificar um pouco a expressão e utilizá-la nas relações humanas da seguinte forma: “o semelhante atrai o semelhante”. Desse modo, não é bizarro interpretar que o ser que carrega em si muitas características negativas e ruins atrairá outros que vibram nessa mesma sintonia. O oposto também se aplica, portanto aqueles que exalam bondade e doçura atrairão…

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As pessoas que eu quero…

Quero me cercar de pessoas boas. Mas, pessoas boas em essência. Não simplesmente de pessoas que forçam a bondade por normas sociais. Quero me envolver com pessoas dignas e humanas cujo humanismo é um princípio ideológico potente e replicável. Quero aprender com pessoas leves e puras capazes de aceitar o diferente. Quero gargalhar com pessoas pulsantes e que não têm medo da vida e muito menos receio do viver. Quero conviver com pessoas que aceitam o errar e que não se esquivam da realidade em face da preocupação do falhar. Quero andar de mãos dadas com pessoas imperfeitas e que…

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