A solubilidade do ser humano

helder camara

A regra geral de solubilidade nos faz lembrar a expressão: “o semelhante dissolve o semelhante”. Esse princípio, mesmo representando um postulado químico, está introjetada no cotidiano do nosso pensar. Então, podemos ampliar tal reflexão para além das análises químicas. Se pararmos para refletir, poderemos modificar um pouco a expressão e utilizá-la nas relações humanas da seguinte forma: “o semelhante atrai o semelhante”.

Desse modo, não é bizarro interpretar que o ser que carrega em si muitas características negativas e ruins atrairá outros que vibram nessa mesma sintonia. O oposto também se aplica, portanto aqueles que exalam bondade e doçura atrairão outros que funcionam do mesmo modo. Nessa dicotomia, nós vivemos e convivemos. É impossível selecionar, por completo, os contatos, todavia é mais do que possível selecionar aqueles com quem conviveremos e criaremos laços afetivos. Digo, inclusive, que essa seleção é fundamental e primordial para a essência da vida. Para mim, a vida só tem sentido pelas pessoas que escolhemos conviver e dividir. Se não fossem tais pessoas, teríamos uma existência lamentável, visto que, sobrariam relações superficiais as quais seriam contaminadas por muitos desses espectros que vibram negativamente.

Assim, nós nos misturamos e nos encontramos. Precisamos in natura produzir coisas boas e bondade, pois, consequentemente, o bem nos rodeará. Sentiremos sua energia e o seu frescor tocando nosso existir. Com isso, haverá propósito para a vida e sentido em continuar. Os sorrisos serão ofertados e respondidos, naturalmente, para quem vibra neste comprimento de onda do bom e do bem. As pessoas afetuosas e virtuosas bateram na nossa porta, pois, além de atrair, “o semelhante ama, busca, divide, ajuda, torce, investe, envolve-se e luta pelo semelhante”.

E o que acontecerá com os humanos ruins e de má índole? Eu não sei! Eles estarão por aí. Infelizmente, acontecem e existem aos montes. Contudo, eles não viverão perto dos virtuosos, pois não haverá espaço para tal. A energia positiva, que emana de quem faz o bem, será capaz de rechaçá-los. Certamente, eles formarão suas hordas e seus bandos. Deixa para lá, pois eles dividirão sentimentos escuros e de fel os quais, de um jeito ou de outro, serão capazes de, inclusive, destruí-los. Ao invés de se preocupar com esses seres maus, produza o bem, porque aqueles que valem à pena te procurarão.

É na nossa doçura que o firmamento da existência prosperará. É com a nossa doçura, extraída da bondade, que responderemos o questionar filosófico do por que existir. Sejamos assim, doces e bondosos, mesmo com as dores das nossas vidas que, por vezes, são produzidas por aqueles que vibram noutra sintonia de onda. Pouco importa, sigamos em frente de forma nobre e virtuosa. Sejamos como algumas pessoas destacadas por Dom Helder Câmara. Segundo ele, elas “são como a cana de açúcar, pois, mesmo postas na moenda, esmagadas de todo, reduzidas a bagaço, só sabem dar doçura”.

Régis Eric Maia Barros