A cada dia – “mais” vida ou “menos” vida?

Eu e Ben

O tempo urge. Os dias, meses e anos, literalmente, voam durante a nossa existência. Nesse dinamismo, não é incomum haver uma angústia existencial sobre o quanto nos restará de vida. Realmente, a partida é algo que incomoda. Até os mais religiosos e praticantes da fé não encaram a finitude de forma tão leve. Sobre essa análise, usa-se, frequentemente, o caminho da negação. Portanto, não se envolver com o questionamento do tempo de vida que nos resta é um artifício efetivo para não promover a angústia.

Ao filosofar sobre esse contexto, fiz a seguinte reflexão: “a cada dia que termina, nós temos “mais” vida ou “menos” vida? Contudo, para responder tal provocação, seria preciso, antes de tudo, clarificar o que é vida, pois, a depender do seu entendimento, a resposta mudará. Eis, aqui, um problema marcante, visto que, incontáveis pessoas “vivem a vida” sob a tutela do medo da morte e sob os auspícios do negativo personificado em vários sentimentos, tais como: pessimismo, tristeza, amargura e inveja. Então, se você seguir essa égide, a vida se acaba com o passar dos dias, pois, fisiologicamente, a nossa máquina humoral vai perdendo a funcionalidade. No entanto, permita-me uma ressalva que precede o seu medo sobre o fim da vida – “se você “vive a vida” usando esses valores pessimistas, você não está vivo”. Na verdade, você acha que está vivo, porém morreu desde há muito tempo. Por isso, o medo da morte, naquele que usa esses parâmetros psicológicos, é intenso, pois a morte será a concretização daquilo que ele, no fundo, já sabe – “que passou em branco pela vida”.

Agora, se você pulsa e deseja cada vez mais, o medo da morte se dilui no prazer do viver. Ao invés de pensar que cada dia findado será um dia a menos na vida, teremos um refletir em oposição. Portanto, incorpora-se, naturalmente, que cada dia bem vivido significará a certeza de que vivemos e viveremos cada vez mais. Quem aplica isso na própria vida terá mais vida mesmo que o tempo de vida fisiológica vá se extinguindo. A vida nada mais é do que esse background de possibilidades que o mundo nos oferece. Precisamos experimentá-las e saboreá-las. Isso é o que nos torna seres vivos. Peço desculpa aos fisiologistas, mas usarei o seguinte trocadilho para me expressar: “ser vivo”, de fato, é mais do que ser um ser vivo. A vida só acontece, em essência, se buscarmos ela. Seja atrevido e busque-a. Claro que impulsividade demais cria transtorno, todavia impulsividade de menos cria anomia. Então, entenda que a morte só se sobressai naquele que não vive.

Para mim, cada dia é uma prova de que estou vivo e que borbulho de vida. Talvez, meus órgãos e tecidos estejam “morrendo” pelas agressões e pelo desgaste oxidativo nas minhas células. Pouco me importa, pois, a cada dia que termina, sinto-me vívido e cada vez mais vivo. No dia que meus órgãos e tecidos não suportarem mais a peleja, olharei para tudo e direi: “ainda me sinto vivo, pois vivi intensamente e minha vida não se dissipa com a partida”.

Régis Eric Maia Barros