O preconceito é aprendido

o preconceito

O meu amado Leozinho escutou por aí a palavra preconceito. Ele me perguntou o que significava. Então, tentei explicá-lo ludicamente respeitando sua idade de 4 anos.

Fiz uma analogia mostrando que ele não é preconceituoso e que as crianças não são. Pois, ele e as crianças aceitam o “diferente” e convivem com o “diferente” sem acreditar que a diferença destrua valores ou identidades. Enfim, brinquei dizendo que ele gosta da Valentina, do Paulo Vitor, do Joaquim, do Cassiano e dos outros coleguinhas da escolinha por, simplesmente, gostar deles.

Aprendemos a ser preconceituosos. Isto penetra na nossa formação pessoal. Isso é adquirido. Não nascemos assim, tornamo-nos assim. O adulto não olha para os outros como as crianças. Os adultos veem os outros diferente da forma que meu Leozinho ver, pois ele não se preocupa com gênero, orientações, escolhas, sexualidade, cor ou classe social. Meu amado Leozinho gosta ou não gosta pelas formas vivenciais de se relacionar e não por valores pré-concebidos.

Terminei dizendo para ele que o preconceito é o não gostar do outro por achar que o outro não está certo ou que o outro não é bom. Mas, ressaltei, que ninguém deve ser considerado “bom” por ser diferente. Devemos achar que os outros são bons pelas suas bondades e virtudes. Não gostar por não aceitar é feio e mau. Não gostar dessa forma, limita e maltrata. Não gostar por julgar o alheio nessa égide, transforma-nos em animais inconsequentes e sanguinários.

Leozinho escutou atento e entendeu. Ele tem um coração amplo e nobre. Ainda tenho esperanças num mundo melhor quando vejo meu amado Leozinho. Ele me prova que ainda somos e podemos ser bons.

Régis Barros