Cidade Estrutural x Plano Piloto

Cidade EstruturalPlano piloto

Alguns apelidam o conteúdo que escreverei a seguir como sendo retórica de um discurso de esquerda e/ou socialista. Eu, sinceramente, não vejo assim. O que eu busco com essa reflexão é fazer uma análise lógica e sensível das respostas do mundo às demandas próprias do mesmo mundo. Enfim, temos ações e reações constantes e não paramos para analisar essas dualidades.

Atuando como perito do Serviço de Perícias Judiciais (SERPEJ/SEPSI/TJDFT), fiz, nessa última semana, duas perícias domiciliares no Distrito Federal. Em ambos os casos, a perícia domiciliar estava indicada, visto que, as patologias dos periciandos impediam o deslocamento à unidade pericial.

Uma delas num belo apartamento no Plano Piloto e outra numa expansão de uma invasão na Cidade Estrutural – endereços diferentes do Distrito Federal. Esses locais são diferentes não somente em CEP, mas em tudo. Veja as fotos. Elas falam por si só.

Certamente, a criminalidade e os “delinquentes” sociais são mais prevalentes na Cidade Estrutural do que no Plano Piloto. É possível, inclusive, que reverberações de crimes no Plano Piloto tenham como agentes representantes alguns moradores da Cidade Estrutural. De fato, não haveria sentido furtar e roubar lá mesmo.

Eis que o Estado discute e aprova a redução da maioridade penal como se tal medida bastasse e resolvesse. Como se tal medida criasse um impacto fulminante na redução dos crimes, visto que, o jovem temeria ser preso.

Ele não temerá absolutamente nada. Quem nasce, vive, cresce e se desenvolve em espaços de segregação e exclusão não precisa temer mais nada. Ser preso com 16 ou 18 anos não mudará nada.

Enfim, se a medida visa reduzir criminalidade, isso não acontecerá. Se a medida busca responder a nossa impotência frente a violência urbana, eu entendo, porém ressalto que continuaremos impotentes e vítimas de violência.

Não se resolve as mazelas sociais sem, de fato, investir nos aspectos sociais e humanos das pessoas. Enfim, quem não tem nada, também, não liga para as normas até por que elas não as protegem, mas sim as excluem cada vez mais.

Régis Barros