A verdadeira riqueza

Não é raro encontrar pessoas que só sossegam quando alcançam uma estrutura financeira e patrimonial robusta. Não quero aqui desconsiderá-las nem, muito menos, sinalizar que essa busca incessante é um pecado. Pelo contrário, se você pensa assim, caminhe no seu propósito. Contudo, por ter uma mania filosófica de provocar, eu questiono: Quais são e onde estão as nossas verdadeiras riquezas? Estariam elas nos bolsos das nossas calças ou nas contas bancárias? Estariam elas nos imóveis que, por ventura, você tenha? Estariam elas nas suas aplicações, caso você as possuam? Onde encontrar a verdadeira riqueza? Nos seus carros, nas suas roupas…

0 comentário

Prisão do tempo

Há pouco fiquei filosofando sobre o passado. Pensei nos meus erros e nas conseqüências das escolhas que não foram felizes. Aquela máxima que todos nós já falamos: “e se eu tivesse feito diferente”. A vida é assim mesmo. Uma seqüência de escolhas. Constantemente, escolhemos e, por conseguinte, deixamos de escolher. Se eu escolho algo, eu, obrigatoriamente, deixei de escolher outras coisas. Então, restará aproveitar o que foi bom dessa escolha e suportar o que foi ruim da mesma escolha. Contudo, o ser humano é um ser sedento e guloso. Ele não se conforma com o que tem e vive se…

0 comentário

Fotos da infância

Não há quem não goste de ver suas próprias fotos da infância. Todos adoram essa vivência. Ficamos absortos na busca de lembrar daquela cena registrada na imagem. Às vezes, nós lembramos e, quando isso ocorre, viajamos no tempo e nos projetamos novamente naquela situação. Via de regra, estávamos com o sorriso estampado no rosto e mostrávamos a pureza da nossa essência. Se repararmos nas nossas fotos de crianças, os nossos olhos eram vivos e vívidos. Não demonstrávamos interesses outros nem nos organizávamos para o perverso. Quando crianças, nós nos organizávamos com outras crianças, somente, para molecar e brincar. Ao olhar…

0 comentário

Há saúde na mente doente

Quando o equipamento mental fica repartido e fragmentado, a dor é desorganizadora. Assim, a nossa mente fica se padecemos com alguma doença mental. Independente da categoria (depressiva, afetiva, psicótica ou ansiosa), o sofrimento mental, causado por essas doenças, é capaz de produzir um mal estar que incomoda e perturba. Apesar disso, nunca haverá uma “loucura” plena, visto que a nossa mente mantém componentes saudáveis. Na verdade, a palavra “loucura” é, em tese, ingrata e injusta, pois rotula e elimina, preconceituosamente, capacidades. Preciso compartilhar, nesse pequeno texto, que existe saúde até na mente do paciente mais adoentado e desorganizado por uma…

0 comentário

Quando fecho os olhos

Quando fecho os olhos, eu vejo casais apaixonados que se beijam. Vejo também crianças correndo atrás de uma bola. Elas correm de forma despreocupada e as suas gargalhadas entram pelos meus ouvidos. Quando fecho os olhos, eu percebo caridade, alteridade, justiça e altruísmo. Vejo um mundo fraternal. Vejo pessoas desprovidas de preconceito. Sinto que ninguém julga o outro pela sua cor, identidade de gênero, sexualidade, situação social e perspectiva política. Quando fecho os olhos, eu enxergo o amor. Um amor tão gostoso que faz meus olhos se mexerem, mesmo que eles estejam fechados. Quando fecho os olhos, sinto o cheiro…

0 comentário

Sobre a vida e o viver

Um amigo e colega de turma da medicina, cujo nome carinhoso é Joãozinho, perguntou-me ontem sobre a vida. Ele me pediu para escrever algo a respeito. Então, mesmo de férias, não poderia deixar isso passar em branco até por que é uma temática que me fascina. Eis que, por coincidência, ao criar o título desse artigo, fiz uma associação filosófica e ressonante com o título do livro da Professora Klüber-Ross - "Sobre a Morte e o Morrer". Nessa obra, ela constrói uma reflexão a respeito do ato de morrer. Então, aqui, falarei rapidamente sobre o viver e a possibilidade de…

0 comentário

Gênero, ética e esporte

A discussão sobre a inclusão de mulheres trans em atividades esportivas é uma questão filosófica e ética bem atual. Nesse contexto, de maneira conjugada, aparecem dois pontos: o avanço social na aceitação das identidades de gênero e a perspectiva ética no esporte. Inicio esse artigo informando que sou um defensor público e ferrenho na aceitação plena dos homens e mulheres trans na sociedade. Por sinal, sou psiquiatra e perito de um tribunal federal e faço perícias sistemáticas em homens e mulheres trans. Conforme as normas vigentes, essas perícias são necessárias para a legitimação da mudança de registro civil e de…

0 comentário

O que é mais transmissível?

Príon, vírus, bactéria ou protozoário? Fômites, espirros, tosse, toque ou via sexual? O que é mais transmissível? O que é mais perigoso? Existiria alguma coisa capaz de se espalhar mais e tomar conta das pessoas? Seria alguma doença? Que patógeno seria capaz disso? A resposta para tais dúvidas é: uma ideia. Nenhum microrganismo é capaz de uma virulência tal potente quanto uma ideia. Ideias se propagam sem capacidades de freios. Não há vacina capaz de detê-las. Mesmo exterminando alguns indivíduos contaminados por elas, a ideia se espalhará por aqueles que resistiram de pé e não sucumbiram. A ideia não morre…

0 comentário

Poucas reflexões sobre o mal…

“Desde que alberguemos uma única vez o mal, este não volta a dar-se ao trabalho de pedir que lhe concedamos a nossa confiança” (Franz Kafka) Percebi que ando meio angustiado, mas essa angústia não se materializa em depressão. Na verdade, ela é filosófica e existencial. A angústia vem da sensibilidade que tenho para ver, perceber e sentir. E esse mundo, essas relações, esse ódio e essa toxicidade dos dias atuais estão me causando isso. A bestialidade tomou conta de tudo. O pensar sucumbiu. A alteridade foi assassinada. O humanismo vem sendo apunhalado. Tudo isso vem acontecendo em decorrência de pautas…

0 comentário

Viver é ser revolucionário

O que é a vida e o que seria o viver? Inúmeras teorias e argumentações poderão surgir nas nossas cabeças para explicar essa pergunta. Questões religiosas, filosóficas e psicodinâmicas permeariam a maioria das respostas. Mas, se eu pudesse resumir, eu responderia que a vida e o viver são fundamentos revolucionários. Sem ser revolucionário, não vivemos nem existirá vida. Sem ousadia, somos peças mortas e amorfas. Quando abdicamos da gana e do sonho da mudança, sucumbimos e morremos. Vida é desejo. Viver é não aceitar essa formatação escrota que as regras e o mundo nos impõem. Vida é lutar. Viver é…

0 comentário