Prisão do tempo

Máquina do tempo

Há pouco fiquei filosofando sobre o passado. Pensei nos meus erros e nas conseqüências das escolhas que não foram felizes. Aquela máxima que todos nós já falamos: “e se eu tivesse feito diferente”.

A vida é assim mesmo. Uma seqüência de escolhas. Constantemente, escolhemos e, por conseguinte, deixamos de escolher. Se eu escolho algo, eu, obrigatoriamente, deixei de escolher outras coisas. Então, restará aproveitar o que foi bom dessa escolha e suportar o que foi ruim da mesma escolha. Contudo, o ser humano é um ser sedento e guloso. Ele não se conforma com o que tem e vive se lamentando em relação ao que não tem. Ele não percebe que o verbo “ter” é ingrato. Por vezes, temos tudo e somos tão pobres. Ao funcionar assim, esquecemos que o contrário também pode ser verdadeiro, pois podemos ter pouco e sermos ricos de amor, felicidade e carinho.

Atrevo-me a pensar que, se existisse a possibilidade de voltar no tempo para corrigir supostos equívocos, todos nós, sem exceção, voltaríamos. Somos seres cuja insatisfação é constante. Nada basta. Queremos mais, sempre mais. Não aceitamos as frustrações e temos a tendência de não suportar a contrariedade. Queremos viver como se o mundo fosse perfeito. Nisso, esquecemos de viver. Nada acontece como exatamente queríamos que fosse. Não nos atentamos para isso, porém é a mais absoluta verdade. Não nos contentamos com o que temos e queremos ter aquilo que nos inebria e fascina. É impossível não sofrer dentro dessa lógica.

O ato de viver requer coragem e espírito aventureiro. Coragem para conviver com perdas, derrotas e dores de frustrações. Ser aventureiro para se jogar na vida sem temor e com um verdadeiro destemor. Se nós perdemos com o que foi feito no passado, caminhemos avante construindo novas histórias. Toda história tem coisas boas. Decifre-a que você comprovará isso.

As escolhas são dinâmicas e não adiantará voltar para retomar a mesma escolha. Como dito por Heráclito de Éfeso, se você voltar a um rio, onde se banhou no passado, perceberá que ambos, rio e você, serão entes diferentes. Tanto o rio quanto você mudou. As águas que te banharão já não serão as mesmas e você já não será o mesmo.

Se pudéssemos voltar no tempo, a vida deixaria de existir. Nós voltaríamos, mudaríamos os fatos da linha histórica e ficaríamos, novamente, insatisfeitos com os novos fatos. Ao final, ficaríamos indo e voltando no tempo, como baratas tontas, na busca do perfeito. Simplesmente, viva!

Régis Eric Maia Barros