O que é mais transmissível?

anarquismo

Príon, vírus, bactéria ou protozoário? Fômites, espirros, tosse, toque ou via sexual? O que é mais transmissível? O que é mais perigoso? Existiria alguma coisa capaz de se espalhar mais e tomar conta das pessoas? Seria alguma doença? Que patógeno seria capaz disso?

A resposta para tais dúvidas é: uma ideia. Nenhum microrganismo é capaz de uma virulência tal potente quanto uma ideia. Ideias se propagam sem capacidades de freios. Não há vacina capaz de detê-las. Mesmo exterminando alguns indivíduos contaminados por elas, a ideia se espalhará por aqueles que resistiram de pé e não sucumbiram. A ideia não morre por mais que o remédio utilizado para combatê-la seja ácido e sulfúrico. A ideia não cede por mais que o “agente terapêutico” seja severo e cruel. A ideia simplesmente existe e, se for boa, existirá para sempre. A ideia se reproduz e cria raízes. A ideia se multiplica a partir de pouco e vai crescendo bem devagar até um tamanho descomunal.

É por isso que grupos ideológicos conservadores e estruturas políticas comprometidas temem ideias. É por isso que o sistema trata de esfriá-las à fórceps. O próprio sistema é ciente da impossibilidade de extirpá-las. Desse modo, cria-se um jeito de enfraquecê-las e de silenciar os atores que propagam as “perigosas” ideias.

Rótulos e personificações acontecerão para limar do mapa os agentes das ideias. Há uma tentativa de criar falsos errados e “verdades mentirosas” sobre tais ideias. De fato, elas causam preocupação, sobretudo hoje, com a propagação de ideias em tempo real.
Ideias boas, cabeças férteis e bons protagonistas delas são, por vezes, mais danosos do que todos os patógenos supracitados, visto que, elas alimentam sonhos e nós, humanos, somos movidos por eles. Sempre fomos! Nós somos seres iminentemente sonhadores e se sonharmos em coletividade, nós seremos invencíveis e indestrutíveis.

As ideias são assim: invisíveis e perigosas. Produzem um perigo quase impossível de dimensionar cujos censores serão incapazes de silenciar. Que possamos propagar nossas ideias e que possamos, também, receber novas ideias de modo a criar um coletivo amplo de ideias “perigosas” capazes de fazer frente a todo status quo.

Régis Eric Maia Barros