Sobre a vida e o viver

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Um amigo e colega de turma da medicina, cujo nome carinhoso é Joãozinho, perguntou-me ontem sobre a vida. Ele me pediu para escrever algo a respeito. Então, mesmo de férias, não poderia deixar isso passar em branco até por que é uma temática que me fascina.

Eis que, por coincidência, ao criar o título desse artigo, fiz uma associação filosófica e ressonante com o título do livro da Professora Klüber-Ross – “Sobre a Morte e o Morrer”. Nessa obra, ela constrói uma reflexão a respeito do ato de morrer.

Então, aqui, falarei rapidamente sobre o viver e a possibilidade de estar vivo. Antes disso, precisamos pensar sobre o que significaria a vida. Assim, caminharemos num sentido de compreensão.

A vida se vincula na essência do ato de se perceber. Só está vivo aquele que se percebe vivo. Embora seja inconsciente, muitos, sem perceber, não se enxergam vivos. Portanto, por mais paradoxal que seja, eles morreram antes de morrer. Parece redundante, contudo a vida é uma engrenagem que ultrapassa o orgânico e o fisiológico.

Viver é acontecer em 1o pessoa, ou seja, se priorizar sempre e sem sombras de dúvidas. A vida requer que você se jogue e, em segredo, ela pede até um pouco de irresponsabilidade. Nada de grave, mas sim uma impulsividade não danosa que prova a sua vontade de viver.

Viver é transcender a rotina. Sair do esquadro. É um auto-anarquismo onde você, ser vivo, não se prende ou se deixa reprimir pelas regras. Na verdade, a vida de cada um de nós não deve seguir regras. Ela deve ser única. Viver é um movimento sem regras e sem medo. Vida é rebeldia. Viver é criar novidades e querer mais. A inércia e a anomia acabam com a vida. Se você é rígido, em termos filosóficos, lamento informar: você morreu e não te disseram. Mas, eu aqui e a agora te direi. Você morreu por que abdicou da essência da vida – a criação e o desejo de mais e a busca pelo novo.

Ser feliz é isso! Portanto, querer caminhar em busca do novo. Querer usufruir da liberdade e das possibilidades. Não aceitar amarras nem grades. Voar voos algo irresponsáveis desde que não causem muitos danos ou dores. Viva a vida que, se assim você fizer, a morte não será amedrontadora.

Régis Eric Maia Barros